Consequências da Idolatria
O Livro da Sabedoria, literalmente leva o nome de Sabedoria de Salomão. Seu conteúdo diz respeito à actuação da Sabedoria de Deus na história dos judeus e o esforço necessário, além da graça divina, para adquiri-la. Este capítulo do Livro da Sabedoria que ouviremos, constata as sequelas da idolatria na vida do povo. Costumes pagãos, como sacrifício de crianças e o culto a ídolos de barro e madeira, segundo este livro são o começo, a causa e o fim de todo o mal.
A idolatria leva a apostasia, ou seja, o abandono da fé verdadeira no Deus único, na vida quotidiana os valores são invertidos e aquilo deveria ser bom é visto como mau e o mau como bom. Assim desordenada a moral e as virtudes, o homem cai, e a prática de actos abomináveis cresce como as ervas daninhas junto ao trigo.
Este texto é uma reflexão sobre a situação dos judeus no antigo Egipto, mas que parece muito com os dias de hoje onde a apostasia, a ilusão e as facilidades levam muitos a cultuar ídolos trocando o certo pelo duvidoso; o bem pelo mal; a cruz pelo sucesso; o Deus verdadeiro por ídolos humanos e espirituais; a Paz de Cristo pela paz do mundo.
Ouçamos com atenção a Palavra do Senhor:
É pela idealização dos ídolos que começou a apostasia, e sua invenção foi a perda dos humanos. Eles não existiam no princípio e não durarão para sempre; a vaidade dos homens os introduziu no mundo. E, por causa disso, Deus decidiu a sua destruição para breve. Um pai aflito por um luto prematuro, tendo mandado fazer a imagem do filho, tão cedo arrebatado, honrou, em seguida, como a um deus aquele que não passava de um morto, e transmitiu, aos seus, certos ritos secretos e cerimónias. Este costume ímpio, tendo-se firmado com o tempo, foi depois observado como lei.
Foi também em consequência das ordens dos príncipes que se adoraram imagens esculpidas, porque aqueles que não podiam honrar pessoalmente, porque moravam longe deles, fizeram representar o que se achava distante, e expuseram publicamente a imagem do rei venerado, a fim de lisonjeá-lo de longe com zelo, como se estivesse presente. Isto contribuiu ainda para o estabelecimento desse culto, mesmo entre os que não conheciam o rei; foi a ambição do artista que, talvez querendo agradar ao soberano, deu-lhe, por sua arte, a semelhança do belo; e a multidão, seduzida pelo encanto da obra, em breve tomou por deus aquele que tinham honrado como homem. E isto foi uma cilada para a humanidade: os homens, sujeitando-se à lei da desgraça e da tirania, deram à pedra e à madeira o nome incomunicável. Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, embora passando a vida numa longa luta de ignorância, eles dão o nome de paz a um estado tão infeliz. Com efeito, sacrificando seus filhos, celebrando mistérios ocultos, ou entregando-se a orgias desenfreadas de religiões exóticas, eles já não guardam a honestidade nem na vida nem no casamento, mas um faz desaparecer o outro pelo ardil, ou o ultraja pelo adultério. Tudo está numa confusão completa - sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias - porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo o mal. (Seus adeptos) incitam o prazer até a loucura, ou fazem vaticínios falsos, ou vivem na injustiça, ou, sem escrúpulo, juram falso, porque, confiando em ídolos inanimados, esperam não ser punidos de sua má-fé. Contudo, o castigo os atingirá por duplo motivo: porque eles desconheceram a Deus, afeiçoando-se aos ídolos, e porque são culpados, por desprezo à santidade da religião, de ter feito juramentos enganadores. Pois não é o poder dos ídolos invocados, mas o castigo reservado ao pecador, que sempre persegue as faltas dos maus. (Sabedoria 14,12-31)






