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Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia


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JULGAMENTO DE UMA ALMA

 

Este trabalho será diferente dos demais. Neste dia 26/10/2002, através do Cláudio, recebi o pedido de Nossa Senhora de publicar via internet algo de assombroso, e que espantará muitos leitores.

Trata-se da descrição da morte, do julgamento, do purgatório e da glorificação de uma alma, conforme as visões que lhe foram passadas. Para as pessoas que acompanharam nossos livros Salvai Almas, será mais fácil entender o que se passa. Para os que não leram, sugerimos ler o Salvai Almas, que ai terão uma idéia perfeita daquilo que iremos falar.

Na verdade. Trata-se do julgamento de uma pessoa, que viveu em nosso meio por muitos anos, sobre quem Deus derramou tão abundante chuva de graças, que foi possível tira-la como que do inferno – alguns anos antes da morte e em tempo – a fim de mais tarde torna-la exemplo para milhares e força de conversão de muitos.

O que se contará aqui foi o que aconteceu com esta mulher – pseudônimo Hilda – desde os momentos que antecederam sua morte, o seu passamento, e daí até ela chegar diante do trono de Deus Pai, para grande Julgamento de sua alma. Depois descreve a sua curta passagem pelo Purgatório, e enfim a Glória, pelo grande Abraço da eternidade.

Eis o que Nossa Senhora nos pediu: Quanto a Hilda, teve seu tempo de conversão e sua vida servirá de exemplo a muita gente. A maioria do que o Cláudio viu, não está relatado, pois causaria escândalo. Deverá ser publicado o que recebeste, via internet e poderás colocar tuas impressões, sem, logicamente, voltar a julgá-la.

Esta vovó, de 77 anos, falecida em 20/08/2002, era na verdade a mãe de Norma a esposa do Cláudio. Como nós já falamos no livro, ela se achava numa situação tal de morte espiritual, que sozinha já não mais conseguiria salvar sua alma. Foi preciso que o Céu realizasse um maravilhoso trabalho de remissão, ensinando pessoas vivas a fazer uma “ponte” capaz de leva-la para junto de Deus. Só assim foi possível acontecer agora, o que neste artigo de relata. E não tenha dúvida que é algo assombroso e que diz muito para cada um de nós.

Como não podemos escrever toda a história de novo, é preciso que o leitor leia com muita atenção, para compreender bem. Que o Espírito Santo o ilumine, para tirar deste texto algumas lições de vida. De fato, depois de terminar esta leitura, duvido que o leitor não sinta vontade de disparar rumo a um confessionário.  (Aarão!)

Porto Belo, SC, 20 de Agôsto de 2002

Santo do dia: São Bernardo ( abade e doutor da igreja)

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A MORTE DE HILDA (Daqui para frente, descrição do Cláudio)

Foi assim! Este dia era uma Terça feira! Até à noite, foi um dia normal. Mas às orações das 19:00 horas, Hilda acompanhou só da cozinha, o que não era comum. Depois conversou com algumas pessoas, até por volta das 21:00 horas e foi se recolher.

Quando as pessoas haviam ido embora, e já estávamos a sós, sentiu-se mal e chamou Norma para que rezasse sobre ela. Em seguida também fui chamado e junto com Norma, rezamos. Nossa Mãe do Céu pediu-me que eu impusesse as mãos sobre a cabeça de Hilda e soprasse sobre ela. Assim fiz, e então Hilda deixou-se cair em nossos braços como desmaiada.

Colocamo-la no carro às pressas, e a conduzimos ao hospital de Tijucas, porém, nas proximidades da ponte, já na cidade, percebemos um forte suspiro de Hilda.

No hospital foi retirada do carro e colocada sobre a maca, por uma enfermeira e conduzida ao médico. Este, em seguida nos comunicou que ela já estava morta: havia morrido no caminho!

Norma passou mal e precisou ser socorrida pelos médicos. Tudo foi muito rápido e custávamos a crer no que estava acontecendo e muitas indagações ficaram: quando morreu e por que morreu assim tão de repente?

Nas orações que se seguiram, obtivemos algumas respostas de São Miguel:

- «Hilda tinha muito medo do sofrimento e medo de morrer. Não gostava de sofrer e o Pai então a atendeu. No momento em que você impôs as mãos e soprou sobre ela, repousou no Espírito! E no caminho, já bem próxima ao hospital, morreu. Não sentiu nada. Não viu nada.

Deus Pai a levou antes do tempo, para livrá-la dos sofrimentos que viriam a acontecer na sua vida, pelas tribulações que virão, e que fariam com que Hilda não tivesse força e coragem suficientes para suportar tudo. Deus abreviou sua vida, a pedido dela própria!

Com efeito, Deus está recolhendo muitos filhos agora, por temer a perda deles nas tribulações: abrevia a vida! Mas Deus sempre age corretamente ainda que, algumas vezes, se desvia do plano anteriormente concebido!

Veja! Hilda está no purgatório. Não foi para o céu diretamente como faria, porque fez com que o Pai tivesse de mudar o plano!»

HILDA NO PURGATÓRIO

            E vi Hilda no purgatório, contorcendo-se pelas dores causadas, como por picadas de milhões de formigas. Ajudei os atendentes do hospital a levar o corpo ao necrotério e neste trajeto fúnebre e tão silencioso, me senti pequeno demais diante de tudo aquilo. O trajeto me pareceu longuíssimo! Por corredores escuros, portas e mais portas – uma infinidade de portas – até chegar à última, que dava para a capela mortuária. Mas esta não abriu, embora fossem usadas todas as chaves de um grande molho!

            Voltamos até o ponto de partida e dali, por outros corredores para o pátio, até chegar à capela pela entrada principal, parecia-me então uma caminhada tão dolorosa, quanto o próprio sofrimento de Hilda em seu purgatório. E comecei a sentir até em mim as picadas das horríveis formigas! (Claro, “formigas” é simbólico e quer dizer: dor como se fosse picada por elas)

Na capela – o necrotério – ela foi colocada em uma maca, e ali permaneceu aguardando ser transportada para nossa casa. Fiquei a sós com Hilda, já que Norma, ao se refazer, teve de ir até nossa casa, buscar roupas e objetos para preparar o corpo para os funerais. E então, diante daquele corpo inerte, fiquei sem saber como agir!

Então me sentei num banco, tentando decifrar o que se passava.

            O JULGAMENTO DE HILDA

 Neste momento, o Arcanjo São Miguel, tomou a palavra e disse:

-    «Filho, és agora convocado para o julgamento. És uma das testemunhas!»

-         Mas, Hilda já está no purgatório. Como julgá-la agora?, perguntei!

            -    «Deus tem seus meios... e tudo é agora!»

 Surpreso, vi então milhares de almas. Também muitos santos postados em cadeiras, como num grande auditório. Haviam muitos conhecidos meus e muitos conhecidos de Hilda. Seus parentes, os seus dois esposos, os avós, os pais, os sogros, os filhos, os irmãos... Haviam os que tinham sido amigos em vida ou vizinhos e conhecidos. Haviam os que tinham sido inimigos dela em vida, e havia também milhares de Anjos, e os Anjos da Guarda de cada uma das almas ali presentes. Tudo muito organizado e solene!

             E havia eu, o único vivente!

 - «Você é a única testemunha viva, aqui presente, mas perceberás que muitas testemunhas vivas serão ouvidas!» (Ver Ap. 20,4)

 Sentei-me e vi então Jesus e um séqüito celeste se aproximar e também sentar-se.

 Jesus, porém, ficou de pé diante de Hilda e perguntou:

 - «Filha, tu Me conheces?»

             -  Sim! És Jesus!

 - «E o que fazes aqui em hora apressada?»

 (Jesus quis dizer: Por que viste antes do tempo?)

             - Deus me trouxe! – disse ela – e começou a chorar!

 Então, o que vi deste momento em diante, foi terrível, assustador e ao mesmo tempo fantasticamente maravilhoso!

 Numa grande tela que unia o céu e a terra, começou a ser mostrada toda a vida de Hilda! Nada camuflado! Tudo transparente, à vista de todos os juízes e das testemunhas! Sua concepção – quase um estupro – embora coniventes os dois. Seu desenvolvimento no seio da mãe, as orientações boas e más vindas de fora, o nascimento em um cômodo desconfortável, o abraço carinhoso da mãe, o pigarrear seco do pai, que fez com a partir daí, tivesse um certo medo dele.

A seguir vimos o desenvolvimento dela, criança, no meio pobre e simples, e as coisas começando a serem percebidas! Lembram daquela frase que se diz: “Sorria, Deus está te filmando?” Pois é bem assim: Deus realmente “filma” a vida inteira, de cada pessoa que existe na terra. E é este filme que cada um de nós irá assistir no dia do nosso julgamento. Nada escapa. Nada! Nada! Nada! Nem “um fio de cabelo”! Meditem muito nesta palavra: nada escapa! Pensamentos, atos, omissões, tudo é posto à vista!

Em 20 de Janeiro de 1930, a sua primeira falta grave. Ela já sabia discernir o certo do errado. Já tinha o uso da razão. Seu irmão havia ganhado um cobertor novo, e coube a ela ficar com o velho que era dele. Não gostou! Brigou muito com a mãe e levou umas palmadas do pai.

Mas, à noite ela roubou o cobertor do irmão e o escondeu. No dia seguinte negou, e os pais culparam o irmão e o castigaram por ter, segundo Hilda, escondido o cobertor com medo de que fosse “roubado”. Nada escapa!

Coisas pequenas, até despercebidas, eram mostradas, das falhas, dos erros, do que tinha feito, do que tinha deixado de fazer, e, em todos os atos, testemunhas apontando! Sempre! 

-         Estás lembrada disso?

-          Lembras daquilo?

           Em muitos atos cometidos era o próprio Deus Pai que apontava:

- «Lembras-te disso?»

Muitos atos não haviam sido testemunhados por ninguém, mas Deus os apontava agora! Nada, absolutamente nada escapa aos olhos de Deus, por mínimas que sejam as coisas ou os atos. Havia também coisas horríveis, com apenas uma testemunha; outras com duas ou três... Havia coisas simples, que muitas vezes podem passar até despercebidas – e isto acontece tanto com todos nós – e existiam fatos que já não mais são vistos como erros, pois perderam seus valores éticos e morais. São estes tais pecados, que “os outros também fazem”. E então os fazemos normalmente pensando que isso nos justifica. Grande engano! A Deus não se engana! Lei é lei! E a lei de Deus não muda nunca!

E tudo passava a sua frente! E o júri é implacável, é duro, é assustadoramente honesto e imparcial, e não perdia uma só cena do espetáculo. Fantástico, e ao mesmo tempo, aterrador. Hilda chorava convulsivamente. Debatia-se em gritos lancinantes: eram para ela como as chibatadas da flagelação! Ali estavam, diante de todas aquelas testemunhas oculares, grande parte dos segredos mais escondidos de sua alma. Dos seus pecados mais ocultos!

E quando todos os atos dela, por nós presenciados em vida, nos anos de nosso convívio familiares – ela era minha sogra – começaram a se desenrolar diante de nós, tive também eu de ser implacável e imparcial! Foi horrível! Tive que falar a verdade! Mas ela não se defendia! Não contra argumentava!

- «Os argumentos usados em vida, para se justificar de algum erro, não servem para este julgamento: aqui é julgado apenas o réu, e não os eventuais causadores ou coniventes dos erros. A Deus não interessa o porque se errou; só interessa que errou! Não há justificativa para o erro! Se o erro pode ser justificado, logicamente deixa de ser erro, ou passa a ser erro de outra pessoa, mas estes erros não aparecem neste julgamento! Aqui, só os erros do réu!» – disse São Miguel.

E os quadros continuavam a serem mostrados em cada detalhe. Todos os atos, de toda a vida, segundo a segundo, sem escapar absolutamente nada. E mesmo percebendo a angústia dela, o seu sofrimento por estes momentos cruciantes e sem nenhuma chance de se defender, não pude deixar de sentir a vontade de abandonar o meu papel! Tive pena!

Mas me obrigava, porém, a continuar testemunhando seus atos, sem conseguir escapar, pois uma Força Superior, me impelia a isto!  Seus choros, seus gritos, não me impediam, e todo o meu testemunho, em cada caso, em cada ato, era aceito por ela com resignação e com grande humildade!... Sem se defender!

Na vida acontece diferente: a pessoa se defende, procura justificativas para tudo, e busca até colocar a culpa nos outros! E a pessoa procura também outros meios falhos para se defender e até usa de estratégias, muitas vezes maquiavélicas e inteligentes para isso. E quantas vezes a pessoa consegue escapar, colocar a culpa nos outros, e sair livre! Aqui não há esta possibilidade. São milhares as testemunhas e as cenas à vista são a “prova do crime!”

O réu fica então em silêncio, resignado, sem palavras diante das evidências mostradas agora em público. Evidências “registradas” pelo próprio Deus! Não há como escapar! Só resta o choro!

- «Você deslocou a sintonia da TV, quando as crianças a assistiam, tirando-a do ar alegando estrago no aparelho, quando na verdade a razão era por causa do barulho das crianças. Em seguida você foi assistir o seu programa favorito, quando elas já estavam na rua! Lembras? Parece brincadeira! Coisas tão pequenas! Mas as crianças foram as vítimas... e crianças moram no Coração de Deus!...» Então!....

Fatos horríveis me arrepiavam, me faziam mal. Muitas vezes em nossa vida, ao vermos a maldade das pessoas, temos vontade de esganá-las, e até de eliminá-las de nosso meio, ou de contar para todo o mundo seus atos de maldade... Eu senti em vida, muitas vezes isso, em relação a ela! E pensei que também iria sentir isso novamente agora, por rever o passado e os sofrimentos vividos... Mas, curioso! Não senti nada disso! É impressionante com o Senhor dos Senhores conduz o julgamento! Imparcialidade! Perfeição maravilhosa!

Mas vejam! Um dia eu também – tenho plena consciência disso – estarei diante de Deus assim como Hilda agora, e certamente terei que presenciar o mesmo filme, só com os papéis invertidos: Hilda será testemunha! Eu serei réu!

Na verdade, nós as testemunhas da acusação, não temos também a mínima chance de tirar proveito deste momento, ou de sentir o prazer de uma vingança. Na verdade ali é o Amor! É a Paz! Só paz!  É impressionante! Acima de nossas razões!

Cada caso mostrado é julgado por Deus, e imediatamente “apagado da fita!” E Deus esquece! E em meu coração ficava a paz! A certeza de que Deus havia participado de todos os instantes da vida, e de que havia perdoado Hilda, e isso me fazia sentir completamente livre daqueles problemas.

Eis ai o motivo pelo qual as mágoas e a falta de perdão “amarram” as pessoas umas às outras, e este sentimento de angustia só termina quando há perdão: na terra e no Céu!

Então, na verdade, eu não a estava julgando: estava apenas testemunhando para que ela mesma pudesse perceber o porquê estava sendo julgada. São necessárias testemunhas, mas nenhuma delas tem o direito de julgar! Eis porque o Jesus falou: não julgueis, para não serdes julgados!

Oh! Deus meu, como Vós sois incrivelmente Sábio!...

Havia momentos desesperadores, quando a ré se defrontava com as pessoas que havia machucado em vida, e quando maquiavelicamente havia se saído bem, fazendo recair a culpa sobre estes outros. Agora a verdade doía... E ainda à vista de todos...

Todas as pessoas que passaram por nossas vidas, ainda que por apenas algumas frações de segundos, são neste momento, testemunhas contra nós! Como nos portamos no momento daquele encontro? Como procedemos? Obviamente, quando estas mesmas pessoas forem a seu tempo julgadas, também terão de responder ao mesmo questionário. Lembre sempre disso!

- «Cada um de vós terá seu próprio julgamento, e todos, exatamente todos os que passaram por vossas vidas serão testemunhas neste júri aterrador, e não tereis nenhuma chance de defesa.» diz São Miguel!

Tudo isto é simplesmente maravilhoso!

Agora o momento dos grandes pecados, das grandes faltas! Por que motivo Hilda conduzira sua vida tão mal, até o ponto de colocar seu pé quase no inferno?

E as palavras do Pai Eterno, calavam fundo na alma de Hilda:

- «Lembras, filha, do mal causado a X, quando a acusavas de um ato que não cometeu, fazendo com que aquele coraçãozinho sofresse toda uma vida, pela falta dos carinhos e do amor da mãe?

- Lembras do R... que embora cometesse erros, não recebeu de ti nenhuma palavra de perdão ou orientação, que pudesse fazê-lo mudar de vida, porque somente pensaste em teu próprio bem?

- E do Nilton,- segundo esposo dela - que quando errou, procuraste os terreiros espíritas para “amarrá-lo” fazendo com que ficasse impotente até o final de sua vida?

- Em todos estes casos, podias ter salvado aquelas vidas. Mas pensavas apenas em ti mesma! Em todos os momentos de tua vida, eras sempre a que “vivia a verdade”. Os outros eram ignorantes, tíbios, inferiores! E jamais lutaste para limpar de dentro de ti, toda a sujeira!

- O primeiro casamento: o rapaz foi praticamente obrigado a fugir com você, por causa das histórias que inventaste contra sua verdadeira esposa, para que dela ele se separasse! E já havia uma criança naquele lar!... Tal procedimento encheu o coração de R... de remorsos durante toda sua vida, mas você sentiu apenas o “gosto” da vitória!

           - R...- o primeiro esposo dela – era casado na Igreja Católica e tu, por conveniência, casaste com ele apenas na lei dos homens. Adultério!»

Nestes depoimentos, as testemunhas se apresentavam frente a frente – olho a olho – com Hilda, e na tela grande, os fatos... E não era filme: era a fiel realidade voltando nos tempos porque o tempo de Deus é hoje! É agora! E não há como se esconder... Não há como usar de estratégias, nem como ser mentiroso, falso... Não há tempo para nada disso!

Ali é só ver... E aceitar! E aceitar significa a contrição, o arrependimento profundo, a concordância sem justificativas de que, de fato, se cometeu aqueles pecados todos. E isso dará a alma a chance de expiar estas faltas no purgatório. Maravilhoso o Deus que isso permite! Sim, se não houvesse o purgatório, a maioria das almas iria para o inferno.

Claro, o julgamento também pode ser... rejeitar! Significa não aceitar que se cometeu estas faltas, estes pecados! Significa não assumir a culpa dos delitos, mesmo diante de todas as provas mostradas no “filme”. Isso seria blasfêmia! Seria chamar Deus de mentiroso! É isso que fazem todos os infelizes que preferem o lago de fogo eterno. Negam! E se perdem! De fato, o inferno é dos teimosos!

Mas Hilda aceitava tudo humildemente! E as acusações continuavam:

- «Lembras como escondias de teus pais os teus colóquios proibidos, contando-lhes histórias escabrosas, que teriam acontecido com outras pessoas, quando você era a estrela principal da história, mas que escondias colocando outro em teu lugar, e te passavas por santa diante de teus pais e irmãos?

- E do segundo casamento que foi combatido, porque na verdade, Nilton não tinha condição nenhuma de arcar com responsabilidades, e nem queria, mas praticamente o obrigaste a ficar com você, colocando-o numa armadilha! Chantageando-o diante de sua família! Fazendo com que fosse obrigado a aceitar tua proposta e casar contigo. E isto apenas porque querias demonstrar que eras mais “conquistadora” que as tuas amigas. Nilton era evangélico, e então também por conveniência, casaste com ele apenas na Igreja Católica, já que eras casada na lei dos homens com outro, fazendo-o mudar de fé.

- Tudo conseguias usando de artimanhas e não te importava qual alma seria atingida! E durante toda tua vida tiveste a chance de pedir perdão a cada uma e não o fizeste!»

E assim, tudo era mostrado a milhões de pessoas à sua frente, e Hilda via tudo, sem poder se defender ou manobrar a situação!

Após tudo terminado, o filme todo rodado, apareceu o momento da morte e a terrível realidade: enfrentar a justiça de Deus!

 Oh! Gente, quanto mais pensamos que somos santos, mais somos egoístas, pois nossa vida não deve ser para nós e sim para os outros: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!” E só esta frase, sozinha, destrói neste momento angustiante, todos os nossos castelos...

- «E agora, filha, para onde vais?»

Diante desta pergunta, ela não se tinha nenhum argumento. E foi para o purgatório! Poderia, é claro, ter perecido para sempre, mas também fez coisas boas: rezava! Sim rezava muito. Principalmente depois da severa chamada de atenção, com a Ponte da Salvação, que, por pura Misericórdia, Deus construiu para ela.

- «O Purgatório de formigas, é para os que mexeram nos formigueiros – diz São Miguel – e mexeram apenas para tirar proveito para si!...»

Muitas coisas horríveis eu ainda vi ali, naquela tela gigante, que não saberia descrever, e especialmente os fatos ocorridos em minha presença quando em vida, ou seja, os fatos que eu testemunhava naquele momento, mas que também por ordem da Misericórdia Divina, deixo de colocar a público! Tais fatos, eu os deixo por conta do nosso Bom Deus. Pois como Nossa Mãe disse: causaria até escândalo!

E agora, após este julgamento, quando lembro de algum episódio acontecido quando ela ainda estava viva e que merecia críticas ou julgamentos, ou até uma tomada de atitudes para corrigir, agora me proporcionam paz.

E digo: Deus já viu isso e já apagou! Por que motivo vamos lembrar?

HILDA VAI AO CÉU

   

Porto Belo, SC, 23 de Agosto de 2002

Santo do dia: Santa Rosa de Lima.

Devo lembrar que, ao chegar ao purgatório, Hilda poderia ter subido quase imediato em vista das muitas orações que foram feitas por ela durante o funeral. O enterro dela foi tão lindo que o próprio ministro perdeu o fôlego e não conseguia nem falar de tanta emoção e chegou até mesmo a chorar. Disse que em muitos anos de sua vida – era já velhinho – fazendo enterros, jamais havia feito um igual. Até falou: foi Deus quem me mandou hoje aqui para este enterro!

 Hilda, entretanto, ela própria pediu ao Pai que “não tivesse pressa em tira-la de lá”, porque “queria sofrer um pouco por aqueles que ela tinha feito sofrer” quando em vida. E o Pai atendeu a este pedido dela! E passou a sofrer como “alma vítima”!

Ela havia falecido numa terça feira anterior, e neste dia, Sexta feira, fui acordado por São Miguel às 24,00 horas. Portanto Hilda estava já há três dias e algumas horas no Purgatório. Lembro que era ao nascer do Sábado, e Hilda usava sempre o escapulário. E São Miguel falou:

           - «Testemunharás agora, algo maravilhoso!»

             E acordei escutando um lindo coral que executava o “Canto das Bandeiras” como conhecemos aqui, canto que Hilda amava demais! Era o céu cantando! Um coro de milhares de Anjos. Meu coração não se continha e ora disparava, ora quase parava e pura emoção.

             E milhões de Anjos formavam um corredor que vinha desde o céu! Milhares de Santos enfileirados e, mais abaixo, Hilda em seu purgatório! Hilda erguia as mãos em súplica e nelas se podia ver o Santo Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Em vida ela fazia parte da Confraria do Carmo, e levava isto muito a sério, rezando sempre as orações da regra.

             Neste momento, a mão do alto ergueu-a, e a puxou para fora do Purgatório!

-         Que lindo Dona Amélia! – ela disse – Isto aqui é muito lindo! Muito obrigada!

           (Dona Amélia é a falecida mãe de Cláudio, uma das primeiras pessoas que em vida ainda, começou a rezar por Hilda. Foi também a primeira a vir recebe-la.)

           Já não havia mais formigamento em Hilda, nem os trajes velhos, nem o corpo desgastado pelo tempo que ela apresentava ao morrer três dias antes. Agora tudo era jovem. Ela aparentava uns dezenove anos, não mais! Tudo era puro! Tudo era lindo! O Monte Tabor, da transfiguração, era ali!

            E, vinda do céu, a mais linda de todas as mulheres, a Mãe de Deus, envolta em um grande manto azul marinho, crivado de estrelas e sóis ofuscantes! Sua tez clara! Seu semblante radioso! Seu sorriso inconfundível e estonteante! Nossa Senhora é mulher mais linda que jamais existiu! E ali estava Ela!

            A Mãe de Deus se fez vestir com os esplendores da Mãe do Brasil, usando o manto de Nossa Senhora Aparecida, embora Seu rosto fosse branco como o de Hilda! Tomou Hilda pela mão, abraçou-a e abrindo seu braço direito a cobriu com seu manto, apertando-a junto a si.

               E começaram a caminhar para o alto. Para o Céu!

               - “Gostaria de dar um presente a Deus”, pediu Hilda, mostrando um pequeno embrulho que tinha nas mãos.

               A Mãe de Deus sorriu e assentiu!

               E, Hilda, diante do Pai Eterno e maravilhoso, fez grande reverência e entregou-Lhe o pacotinho.

               “Pai Santo, Te entrego Norma e Cláudio!”

                E Deus Pai abriu o pacote!

                Naquele instante eu não pude conter as emoções e chorei copiosamente, a ponto de preocupar Norma que silenciosamente acompanhava meu estado de êxtase, desde o momento que eu a acordara para que participasse de tal maravilha.

               É que no pacote que ela entregou ao Pai, estava o nosso livro Salvai Almas, que relata a história da Ponte da Salvação, que causou a conversão e agora a salvação eterna de Hilda.

                Na realidade, não era somente a nós dois que ela queria agradecer com este gesto; era ao próprio Deus, pois tudo veio Dele. E Hilda, num ato de gratidão e amor, devolve a Ele, em forma de presente, todo o Plano de Salvação, que dera a ela, a graça imensa do céu!

                E o Pai Querido a envolveu e a levou. E todo o céu cantou as maravilhas do Deus Poderoso e acima de tudo, Misericordioso. Sim, este é o nosso Deus!

                E acabou! Fiquei aguardando mais, mais e mais, mas terminou ali! O ponto final de uma vida cheia de problemas. Mas também começo da Vida Eterna de uma alma que aceitou o convite de Deus para mudar radicalmente de vida, e a partir de então, tentou viver só para Ele. E acabou indo, por Misericórdia sim, para ficar eternamente com Ele.

                E eu, ainda atônito, tive impregnado em minha mente e no coração por vários dias, aquela música cantada por milhões de anjos, em homenagem a Mãe Aparecida, a Mãe que Hilda tanto amava. E continuava ainda vendo como Hilda, pelas mãos da Mãe Santíssima, foi aos braços do Pai! E lá ficará para sempre!

                O Canto das Bandeiras, após este dia é executado em todos os nossos cenáculos, em qualquer lugar onde estivermos. Bem ensaiado pelo grupo orientado pelo Geraldo, o músico do Grupo da Paz, da Matriz de Porto Belo que canta conosco.  Bem ensaiado, lindo, para chegar perto daquele inigualável Coral dos Anjos do Céu.

 

      EPÍLOGO  (Aarão)

      Este é o final da história de Palmira, nascida Borba, nossa querida vovó Hilda. Final da história de uma alma, escolhida por Deus, para uma extraordinária missão aqui na terra. De fato, a Misericórdia fez dela um exemplo para conversão de milhares de almas. Na verdade, a história de Hilda é única em todo o mundo até hoje, que eu saiba.

       Deus é maravilhoso e na Sua Misericórdia, arrancou como que de dentro do próprio inferno, e pelos últimos fios de cabelo, a aquela pobre alma. Uma alma que, embora ainda viva, já não tinha mais forças para transpor, sozinha, o imenso abismo que ela própria cavara, entre ela e Deus, em sua vida inteira, de pecados e de confissões mal feitas e mascaradas.

       Mas para mim, Aarão, os pecados de Hilda nunca me interessaram. Na verdade quando eu a conheci já era uma vovozinha querida, a quem sempre tratei com carinho, e ela a mim. E rezamos muito, um pelo outro. E tal foi o meu carinho, que nunca senti a falta dela quando soube que morrera. Nem chorei, mas me senti feliz! Sempre senti que o lugar dela era no céu junto de Deus, onde ela está agora. Não a julguemos mais então, pois se o Justo Juiz já a perdoou, quem somos nós para a acusar de falta?

       E se você – que não a conheceu – pode ver alguns pecados dela, compare-os com os seus! Sinta você também como será seu próprio julgamento, pois sem dúvida alguma chegará a sua hora e prepare-se. Mas se quiser evitar tudo isso, confesse-se bem! Perdoe de verdade! Repare aqui suas faltas sem deixar nenhuma! Aceite sem reclamar as cruzes que Deus lhe der! Ame Maria e ao Rosário! Ame, sobretudo, a Santa Eucaristia! Ai não haverá julgamento, pois como você viu, uma vez reparada a falta, Deus a apaga do “filme” da nossa vida.

      Enfim, com Hilda, você pode ver como o Amor é mais forte e é maior! Deus fez construir para ela uma Ponte de Salvação – ponte que todos nós devemos construir também –  conforme você leu no livro Salvai Almas. Deus, na verdade escolhe sempre os menos prováveis, os até quase impossíveis, exatamente para dar ao mundo um pequeno sinal, uma centelha apenas, uma pequena idéia ao menos, do Seu Amor infinito. É com estes “impossíveis” que Ele confunde os sábios deste mundo, e os incrédulos!

       Sim, para os que acreditam nesta história, Hilda é sinal de conversão, e de mudança de vida! Para os incrédulos, para os Tomé – infelizes deles – quem sabe um sinal de escândalo e de contradição.

       Agora, porém, nada mais importa! Palmira está no Céu, e lá vai permanecer eternamente e só isso conta. Eis ai o que significa um Amor Infinito!

       O Amor sempre vence! O Amor jamais acabará!

       Este é o nosso Bom Deus!

       FIM!

 

fonte: Recados do Aarão