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Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia


Reze
O Santo Rósario

Movimento Salvai Almas

Recados do Aarão

Pai de Amor

fimdostempos

Lições para a Vida

 

A grandeza dos feitos de João Paulo II e o volume tremendo dos seus escritos podem obscurecer um facto crucial a ele respeitante: dentro deste grande homem — estadista mundial, teólogo, filosofo, líder da Igreja — bate o coração de um pastor. João Paulo II sabe como os homens e as mulheres podem encontrar Deus. Compreende até que ponto o poder de Deus pode ser libertado nas nossas vidas. O seu maior desejo é que abracemos uma fé que transforma o modo como vivemos, o modo como nos relacionamos com as outras pessoas, o modo como trabalhamos.
O presente livrinho reúne o essencial da sabedoria pastoral de João Paulo II. Apresenta os seus mais sucintos e sentidos pensamentos acerca da forma como podemos aproximar-nos de Deus e viver como cristãos féis e convictos num mundo que nos coloca muitos desafios. Procedi a esta selecção a partir dos extensos escritos do Papa e organizei-a segundo temas abrangentes. Leia estas palavras de um dos maiores pastores da Igreja. Reflicta nelas. Deixe que penetrem no seu coração. Aproximá-lo-ão de Deus, porque Deus está nelas.

JOSEPH DUREPOS

1
Um tesouro escondido, um livro aberto

Senhor, revelai-nos o mundo interior
da alma, o tesouro escondido em nós, o
castelo luminoso de Deus. Fazei o mundo
exterior conservar a marca do Criador,
tornando-o um livro aberto que nos fala
de Deus.

2
O destino da humanidade

O destino da humanidade está escrito no
coração e no espírito de Deus, que
determina o rumo da História. O Pai
coloca nas nossas mãos a tarefa de
começar a construir, aqui na Terra, o
Reino do Céu que o Filho veio anunciar e
Que se cumprirá no fim dos tempos.

3
Imerso neste mundo

Vivemos na História, ao lado dos nossos
próximos, partilhando as suas apreensões e
esperanças. Não podemos fugir para outra
dimensão, ignorando as tragédias da nossa
época, fechando os olhos e os corações à
angústia que domina a vida. Pelo
contrário, estamos quotidianamente imersos
neste mundo, preparados para acorrer
aonde quer que exista um irmão ou uma
irmã a pedir auxilio, uma lágrima a secar,
um pedido de socorro a ser atendido.

4
Providência

O mundo e os acontecimentos históricos
não podem ser entendidos sem se professar
a fé no Deus que se manifesta neles. A fé
aguça o espírito, abrindo-o à descoberta
da obra da Providência no fluxo dos
acontecimentos.

5
Fé e razão

A fé e a razão são como duas asas que
elevam o espírito humano à contemplação
da verdade. Deus colocou no coração
humano um desejo de conhecimento da
verdade — de O conhecer a Ele próprio —
de modo que, conhecendo e amando Deus,
os homens e as mulheres pudessem também
alcançar a verdade acerca de si mesmos.

6
O futuro da humanidade

O futuro da humanidade depende de
pessoas que apostam na verdade e cujas
vidas estão imbuídas dos elevados
princípios morais que permitem aos seus
corações amarem até ao sacrifício.

7
Toda a vida é uma dádiva

Defendamos as vidas dos idosos e dos
deficientes; recusemos as tentativas de
promoção do suicídio assistido e da
eutanásia. Defendamos o casamento e a
vida familiar. Defendamos a pureza.
Resistamos às pressões e tentações de um
mundo que demasiadas vezes tenta ignorar
a verdade mais essencial: toda a vida é
uma dádiva de Deus, nosso Criador, e
temos de prestar contas a Deus pela forma
como a usamos, para o bem ou para o mal.

8
Falar a muitos corações

Como Maria, temos de permitir que o
Espírito Santo nos ajude a tornarmo-nos
amigos íntimos de Cristo. Como Maria,
temos de pôr de lado quaisquer receios
para levar Cristo ao mundo em tudo o que
fazemos — no casamento, na vida de
solteiro, como estudantes, como
trabalhadores, como profissionais. Através
de nós, Cristo quer ir a muitos sítios do
mundo e falar a muitos corações.

9
Escondido

O Evangelho não deve ser mantido
escondido devido ao medo ou à
indiferença. Nunca se pretendeu que
permanecesse escondido, privado. Tem de
ser posto numa estante, para que muitas
pessoas vejam a sua luz e dêem graças ao
nosso Pai do Céu.

10
Profetas da vida

Peço a toda as pessoas do mundo, que
natural e instintivamente fazem do amor
à vida o horizonte dos seus sonhos
e os arco-íris das suas esperanças, que se
tornem profetas da vida. Sejam-no através
das vossas palavras e acções, revoltando-se
contra a civilização do egoísmo que muitas
vezes considera a pessoa como um meio,
e não um fim, sacrificando a sua dignidade
e os seus sentimentos em nome do mero
lucro. Façam-no ajudando especificamente
quem precisa de vós e quem, sem a vossa
ajuda, talvez se sinta tentado a entregar-se
ao desespero.

11
Testemunhos de esperança

Somos testemunhos. Testemunhos de uma
fé extraordinária; de uma caridade activa,
paciente e amável; de um serviço às muitas
formas de pobreza experimentadas pela
humanidade dos nossos dias. Testemunhos
da fé que não desaponta e da profunda
comunhão que reflecte a vida de Deus,
da Trindade, da obediência e da Cruz.
Em suma, testemunhos de santidade, povo
das Bem-Aventuranças, chamados a ser
perfeitos como o Pai do Céu é perfeito.

12
A fé é exigente

Como podemos professar a fé na Palavra
de Deus e depois recusar que ela inspire e
oriente o nosso pensamento, a nossa
actividade, as nossas decisões e as nossas
responsabilidades recíprocas? A fé é sempre
exigente porque a fé leva-nos para lá de
nós mesmos. A fé concede-nos uma visão
do objectivo da vida e exorta-nos à acção.

13
O que nos pede realmente Cristo?

O que nos pede realmente Cristo? Jesus
pede que nos comprometamos à Sua
anunciação junto dos nossos próximos.
Não remeis, pois Jesus está convosco! Não
remeis perder-vos: quanto mais vos derdes,
tanto mais vos encontrareis.

14
O papel da mulher na família

Não se presta um serviço — não apenas às
crianças mas também às mulheres e à
própria sociedade — quando se faz a
mulher sentir-se culpada por querer ficar
em casa a cuidar dos seus filhos.
É também necessário contrariar o conceito
errado de que o papel de mãe é opressivo
para as mulheres e que a entrega à família,
mormente aos filhos, impede a mulher
de atingir a sua realização pessoal e de
exercer influência na sociedade. Nenhuma
consideração das questões femininas pode
ignorar o papel da mulher na família ou
entender de forma leviana o facto de toda
a nova vida estar entregue à protecção
e cuidado da mulher que a carrega no ventre.

15
Deus vem até nós

Deus vem até nós nas coisas que melhor
conhecemos e mais facilmente podemos
verificar, nas coisas da nossa vida
quotidiana.
16
A primeira escola de paz

As crianças aprendem muito cedo o que é
a vida. Observam e imitam o
comportamento dos adultos. Aprendem
rapidamente o amor e respeito pelos
outros, mas também absorvem velozmente
o veneno da violência e do ódio.
As experiências familiares condicionam
fortemente as atitudes que as crianças
assumirão quando adultas.
Consequentemente, se a família é o local
onde as crianças se deparam pela primeira
vez com o mundo, a família tem de ser
para as crianças a primeira escola de paz.

17
O dom da paz

Tornai-vos amigos daqueles que não têm
Amigos.
Tornai-vos família daqueles que não têm
família.
Tornai-vos comunidade daqueles que não
têm comunidade.
Se queremos a paz, temos de estender a
mão aos pobres. Que os ricos e os pobres
da Terra reconheçam que somos todos
irmãos e irmãs. Que todos partilhemos uns
com os outros o que temos, como filhos do
único Deus que a todos ama e a todos
oferece o dom da paz.

18
Para lá da justiça

Mais de oitocentos milhões de pessoas
sofrem ainda de malnutrição e, muitas
vezes, é difícil encontrar soluções imediatas
para melhorar esta situação trágica. Ainda
assim, temos de as procurar em conjunto,
de modo a deixarmos de ter, lado a lado,
os famintos e os ricos, os muito pobres e
os muito ricos, aqueles privados dos meios
indispensáveis e aqueloutros que os
desperdiçam abundantemente. tais
contrastes entre pobreza e riqueza são
intoleráveis para a humanidade.

19
Todo o ouro do mundo

A partir do amor de Deus, os cristãos
aprendem a amar os pobres e a partilhar
com eles os seus próprios bens materiais e
espirituais. Esta preocupação, não apenas
fornece ajuda material àqueles que vivem
com dificuldades, como também representa
uma oportunidade para o crescimento
espiritual daquele que dá, que vê nisso um
incentivo ao distanciamento dos bens
terrenos. Lembremo-nos: cada pessoa é
mais valiosa do que todo o ouro do mundo.

20
Contribuir com algo

As multidões famintas — crianças, mulheres,
idosos, imigrantes, refugiados, desempregados —
elevam até nós o seu grito de sofrimento.
Imploram-nos, na esperança de serem ouvidos.
Como podemos não abrir os nossos ouvidos e
os nossos corações e começar a distribuir os
cinco pães e os dois peixes que Deus pôs nas
nossas mãos? Se cada um de nós contribuir com
algo, poderemos em conjunto fazer alguma coisa
pelos pobres. É claro que isto exige sacrifício,
que requer uma profunda conversão interior.
Implicará certamente modificar o nosso
comportamento exageradamente consumista,
combater o hedonismo, resistir a atitudes de
indiferença e à tendência para ignorar as
nossas responsabilidades pessoais.

21
A harmonia da Criação

A contemplação da Natureza revela não só
o Criador como o nosso papel no mundo
que Ele criou. Com fé, revela a grandeza
da nossa dignidade enquanto criaturas
feitas à Sua imagem. por forma a ter vida
— e tê-la abundantemente —, por forma a
restabelecer a harmonia original da
Criação, temos de respeitar esta imagem
divina em toda a Criação, especialmente na
própria vida humana.

22
Uma contemplação genuína

Muitas pessoas são especialmente sensíveis
à beleza da Natureza. Contemplá-la
inspira-as espiritualmente. Contudo, esta
tem de ser uma contemplação genuína.
Uma contemplação que não revele o rosto
de um Deus pessoal, inteligente, livre e
amável, mas, ao invés, distinga meramente
a figura sombria de uma divindade
impessoal ou alguma força cósmica, não
basta. Não devemos confundir o Criador
com a Sua criação.

23
Uma lógica moral

Não vivemos num mundo irracional e
desprovido de sentido. Pelo contrário,
existe uma lógica moral encerrada na vida
humana. Temos de encontrar um modo de
discutir inteligivelmente o futuro humano.
A lei moral universal inscrita no coração
humano é precisamente o tipo de
«gramática» necessária a que o mundo se
envolva nesta discussão acerca do seu
futuro. A política dos países nunca pode
ignorar a dimensão transcendente e
espiritual da experiência humana.

24
O desejo de liberdade

O mundo tem ainda de aprender a viver com
a diversidade. A existência da diferença, e a
realidade do «outro», pode por vezes ser
sentida como um fardo, ou mesmo uma
ameaça. Ampliado por injustiças históricas e
exacerbado pelas manipulações dos falhos de
escrúpulos, o medo da diferença pode
conduzir a uma negação da própria humanidade
do «outro», tendo como resultado a queda
num ciclo de violência no qual ninguém é
poupado. Como será o mundo do século XXI?
Seremos capazes de aprender com as nossas
experiências passadas e construir uma
coexistência pacifica entre os países do
mundo? O desejo de liberdade de tantas
pessoas da Terra será finalmente realizado?

25
O mistério de Deus

Toda a cultura constitui um esforço de
reflexão sobre o mistério do mundo e, em
particular, da pessoa: é uma forma de dar
expressão à dimensão transcendente da
vida humana. O fulcro de toda a cultura é
a sua abordagem do maior dos mistérios: o
mistério de Deus.

26
Conhecer a História

Temos de aprender a conhecer a História dos outros
povos sem enviesamentos condescendentes nem
sectários, fazendo um esforço para compreender
o seu ponto de vista. Se nos propusermos a isto,
veremos que os erros não foram todos cometidos
pelo mesmo lado. Veremos como a História foi por
vezes apresentada de uma forma distorcida e
mesmo manipulada, com resultados trágicos.
A História foi quase exclusivamente escrita como
uma narrativa dos feitos dos homens, quando, na
verdade, a sai melhor parte é mais frequentemente
decidida pela acção determinada e perseverante das
mulheres a favor do bem. Quanto precisa ainda
de ser dito e escrito sobre a enorme dívida que
o homem tem para com a mulher, em todos
os campos do progresso social e cultural?

27
Um valor infinito

O reconhecimento de alguém enquanto ser
humano nunca se pode basear na
consciência ou experiência que poderemos
ter dele ou dela, mas na certeza do seu
valor infinito desde a concepção, que lhe
vem da sua relação com Deus. Um ser
humano tem primazia sobre todas as ideias
que os outros têm sobre ele e a sua
existência é absoluta e não relativa.

28
A regra da liberdade

A liberdade não é a ausência de tirania
ou opressão. A liberdade também não
é permissão para se fazer o que se quer.
A liberdade obedece à verdade e é realizada
na demanda da verdade por parte da
humanidade e na vida da humanidade
na verdade. A verdade — a começar pela
verdade da nossa redenção pela Cruz
e ressurreição de Cristo — é a raiz,
o alicerce e a medida de toda a libertação.
Em última instância, a liberdade pode
constituir um risco. Se a liberdade não
obedecer à verdade, pode esmagar-nos.

29
A pedra angular

O mistério da Encarnação tem constituído
um estímulo enorme para o pensamento e
o génio artístico da humanidade.
Reflectindo precisamente na união das duas
naturezas — humana e divina — na Pessoa
do Verbo Encarnado, os pensadores
cristãos explicaram o conceito de pessoa
enquanto sede única e irrepetível de
liberdade e responsabilidade, cuja dignidade
inalienável tem de ser reconhecida. Este
conceito da pessoa revelou ser a pedra
angular de qualquer civilização
genuinamente humana.

30
O fim dos tempos

Tudo o que acontecerá até ao fim do mundo
não será mais do que extensão e
desenvolvimento daquilo que aconteceu
no dia em que o corpo mortificado do Senhor
crucificado foi erguido pelo poder do Espírito
e se tornou, por sua vez, fonte do Espírito para
toda a humanidade. Os cristãos sabem que não
é necessário esperar por outro tempo de
salvação, pois, por muito que o mundo dure,
eles estão já a viver no fim dos tempos. Não só
nós, Igreja, mas também o próprio cosmos
e toda a História são regidos e governados
incessantemente por Cristo glorioso. É esta força
vital que impele a Criação, «gemendo até agora
com as dores do parto», em direcção ao
objectivo da sua redenção total

31
A presença do Senhor

«Estarei sempre convosco, até ao fim dos
tempos.» Esta promessa de Cristo é o
segredo que sustenta a nossa vida e a fonte
da nossa esperança. Enquanto dia da
Ressurreição, o Domingo não é apenas a
recordação de um acontecimento passado: é
a celebração da presença viva do Senhor
ressuscitado entre o Seu próprio povo.

32
As primícias da Igreja

Na Missa dominical, os cristãos recordam
com particular intensidade a experiência
dos apóstolos na noite de Páscoa, quando
o Senhor ressuscitado surgiu entre eles,
quando se encontravam reunidos. Num
certo sentido, o povo de Deus de todos os
tempos estava presente naquele pequeno
núcleo de discípulos, as primícias da Igreja.
Através do seu testemunho, todas as
gerações de crentes escutam a saudação de
Cristo, plena da dádiva messiânica da paz,
conquistada pelo Seu sangue e oferecida
com o Seu Espírito: «A paz seja convosco.»

33
Paz duradoura

A paz duradoura é marcada por uma
aceitação mútua e uma capacidade de
perdoar do fundo do coração. Todos nós
precisamos de ser perdoados por outrem,
por isso todos nós devemos estar dispostos
a perdoar. Pedir e conceder perdão é algo
profundamente digno da humanidade; por
vezes, é a única saída para situações
marcadas por um ódio violento e
imemorial.

34
Uma conversão radical

Poderemos reconciliar-nos completamente com
Cristo sem nos reconciliarmos completamente
uns com os outros? Poderemos ser
testemunhas colectivas e eficazes de Cristo
se não estivermos reconciliados uns com
os outros? Poderemos reconciliar-nos uns com
os outros se não nos perdoarmos
mutuamente? O perdão é a condição da
reconciliação. Mas este não pode surgir sem
uma transformação e uma conversão interior,
que são obra da graça. Precisamos de ser
capazes de nos confrontarmos connosco
mesmos, de realizar um exame rigoroso de
consciência — esta é a premissa indispensável
para uma conversão radical que poderá
transformar as nossas vidas.

35
Justiça

Um pré-requisito essencial para o perdão e a
reconciliação é a justiça, que encontra a sua
expressão máxima na lei de Deus e no Seu plano
de amor e misericórdia para a humanidade.
Entendida desta forma, a justiça não se limita à
determinação do que está certo entre partes
litigantes, mas procura, acima de tudo, o
restabelecimento de relações autenticas com
Deus, connosco próprios e com os outros. Assim,
não há contradição entre perdão e justiça.
O perdão não elimina nem diminui a necessidade
da reparação exigida pela justiça, mas, ao invés,
procura reintegrar indivíduos e grupos na
sociedade e países na comunidade das nações.
Nenhuma punição poderá aniquilar a dignidade
inalienável daqueles que praticaram o mal.
A porta para o arrependimento e a reabilitação
tem de permanecer sempre aberta.

36
A medida pela qual todos seremos julgados

Através da Sua vida, Jesus anunciou
o perdão de Deus mas também ensinou
a necessidade do perdão mútuo como
condição para a sua obtenção. No Pai-Nosso,
Ele faz-nos dizer: «Perdoai-nos as
nossas ofensas, assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido.» Com este
«assim como», Ele coloca nas nossas mãos
a medida pela qual todos seremos julgados
por Deus.

37
Um acto de amor

Só Deus é verdade absoluta. Mas Ele fez o
coração humano desejar a verdade, que
depois revelou integralmente através do Seu
Filho Encarnado. A partir de então, somos
todos chamados a viver a verdade. Onde se
tecem mentiras e falsidades, floresce a
suspeita e a divisão. Na realidade, o perdão,
longe de impedir a demanda da verdade,
exige-a. O mal feito tem de ser reconhecido
e, tanto quanto possível, corrigido.
O perdão, na sua forma mais verdadeira
e elevada, é um acto livre de amor. Mas,
precisamente por ser um acto de amor, tem
as suas exigências intrínsecas — a primeira
destas é o respeito pela verdade.

38
Sarar as recordações

A verdade é que não podemos permanecer
prisioneiros do passado: as pessoas
precisam de «sarar as recordações», para
que os males passados não regressem. Isto
não significa esquecer os acontecimentos
passados — significa examiná-los à luz de
uma nova atitude e aprender precisamente
com a experiência do sofrimento que
apenas o amor pode construir em altura,
ao passo que o ódio só produz devastação
e ruínas.

39
A liberdade que almejamos

Numa cultura que defende a impossibilidade
da existência de verdades universalmente
válidas, nada é absoluto. Por conseguinte, em
última análise, a bondade e a maldade
objectivas deixam de importar. O bem passa
a designar o que é agradável ou útil num
momento particular. O mal é o que contaria
os nossos desejos subjectivos. Todas as pessoas
podem construir um sistema privado de
valores. Só escutando a voz de Deus no mais
profundo do nosso ser, e agindo de acordo
com as suas instruções, alcançaremos
a liberdade que almejamos. Como disse Jesus,
só a verdade nos libertará. E a verdade
não é fruto da imaginação de cada indivíduo.
Deus deu-nos inteligência para conhecermos
a verdade e vontade para alcançarmos o que
é moralmente bom.

40
O laço

A oração é o laço que mais eficazmente
nos une. É através da oração que os
crentes se encontram num nível em que as
desigualdades, as incompreensões, a
amargura e a hostilidade são ultrapassadas —
ou seja, perante Deus, Senhor e Pai de
todos nós.

41
Confiança absoluta

Saber quem é o Pai significa saber o que é
a confiança absoluta. «Conhecer o Pai»
significa adquirir a certeza de que Ele não
nos repudia nem quando tudo — material
e psicologicamente — parece indicar um
repúdio. E nunca nos repudia.

42
Conhecer o Pai

«Pai nosso, que estais no Céu (…)»
Segundo estas palavras, tudo se reduz a um
único conceito: aprender a rezar significa
«conhecer o Pai». Se conhecermos o Pai no
pleno sentido da expressão, conheceremos tudo.

43
O centro

A oração não é uma ocupação entre
outras, mas, ao invés, encontra-se no
centro da nossa vida em Cristo. Desvia a
nossa atenção de nós mesmos e dirige-a
para o Senhor. A oração enche o espírito
de verdade e dá esperança ao coração.

44
O sopro de vida divina

O sopro de vida divina, o Espírito Santo,
na sua forma mais simples e comum,
exprime-se e faz-se sentir através da
oração. Onde quer que haja pessoas a orar,
no mundo, ali se encontra o Espírito Santo,
o sopro vivo da oração. A oração é
também a voz de todos aqueles que não
têm voz. A oração é a revelação do abismo
que jaz no coração da humanidade; um
vórtice que vem de Deus e apenas Deus
pode preencher.

45
A vida é um talento

A vida é um talento que nos foi confiado
para que o pudéssemos transformar e
aumentar, tornando-o uma oferenda aos
outros. Ninguém é um icebergue à deriva
no oceano da História. Cada um de nós
pertence a uma grande família, na qual
todos temos o nosso lugar e o nosso
próprio papel a desempenhar.

46
O reflexo do Criador

Tendo fé no Deus da vida, que criou cada
pessoa como um prodígio. É a perspectiva
daqueles que vêem a vida no seu sentido
mais profundo, que compreendem a sua
profunda generosidade, a sua beleza e o
seu convite à liberdade e à
responsabilidade. É a perspectiva daqueles
que não presumem possuir a realidade,
mas, ao invés, a aceitam como uma dádiva,
descobrindo em todas as coisas o reflexo
do Criador e vendo em cada pessoa a Sua
imagem viva.

47
Corpos e almas

Nos nossos corpos, somos meras partículas
no vasto universo criado, mas, graças às
nossas almas, transcendemos todo o mundo
material.

48
O mosaico da caridade

O egoísmo torna-nos surdos e mudos; o
amor abre os nosso olhos e corações,
permitindo-nos fazer um contributo original
e insubstituível que — juntamente com os
milhares de acções de outros tantos irmãos
e irmãs, muitas vezes longínquos e
desconhecidos — converge para a criação
de um mosaico de caridade que pode
alterar o rumo da História.

49
O mistério da graça

Não é simplesmente o caso de a
humanidade procurar Deus, mas de Deus
vir em Pessoa falar a cada um de nós de Si
próprio e mostrar-nos o caminho através
do qual Ele pode ser alcançado. O Verbo
Encarnado é a realização do anelo sentido
em todas as religiões da humanidade. Esta
realização deve-se ao próprio Deus e
transcende todas as nossas expectativas
humanas. É o mistério da graça.

50
À nossa procura

Deus vai à nossa procura. Jesus fala desta
procura como o encontro de uma ovelha
tresmalhada. É uma procura que se inicia
no coração de Deus e culmina na
Encarnação do Verbo. Deus vai à nossa
procura porque nos ama eternamente e
deseja elevar-nos, em Cristo, à categoria de
filhos e filhas adoptivos. Somos Sua
propriedade especial, de uma forma
diferente de qualquer outra criatura, graças
a uma escolha feita no amor: Deus vem à
nossa procura, impelido pelo Seu coração
paternal.

51
O significado da Redenção

Por que razão Deus vem à nossa procura?
Porque nos afastámos d’Ele, escondendo-nos
como Adão e Eva entre as árvores do Jardim
do Éden. Deixámo-nos seduzir pelo inimigo
de Deus. Satã enganou-nos, persuadindo-nos
de que também ele era um deus; de que ele,
como Deus, era capaz de conhecer o bem e o
mal, governando o mundo segundo a sua
vontade sem ter de considerar a vontade
divina. Indo à nossa procura através do Seu
Filho, Deus deseja convencer-nos a abandonar
os caminhos do mal que nos afastam cada
vez mais d’Ele. Fazer-nos abandonar esses
caminhos significa fazer-nos compreender que
estamos a seguir pelo caminho errado;
significa derrotar o mal que se encontra
em toda a História humana. Derrotar o mal:
é esse o significado da Redenção.

52
Liberdade autêntica

Jesus Cristo saúda os homens e as
mulheres de todos os tempos, incluindo
os nossos, com as mesmas palavras:
«Conhecerão a verdade, e a verdade
tornar-vos-á livres.» Estas palavras contêm
simultaneamente um requisito e uma
advertência: o requisito de uma relação
honesta no que diz respeito à verdade
como condição para alcançar a liberdade
autêntica; e a advertência para evitar todo
o tipo de liberdade ilusória, ou seja, aquela
liberdade que não se enquadre em toda a
verdade acerca das nossas vidas e do nosso
mundo.

53
A vida de Deus

Jesus veio dar a derradeira resposta ao
desejo de vida e infinito que Deus
derramara nos nossos corações, na Criação.
Jesus anuncia: «Eu sou (…) a vida» e «Vim
para que eles pudessem ter vida.» Mas
que vida? A intenção de Jesus era clara: a
própria vida de Deus, que ultrapassa todas
as aspirações possíveis do coração humano.
O facto é que, através da graça do nosso
Baptismo, todos somos filhos de Deus.

54
Verdadeira vida

A nossa experiência diária diz-nos que a
vida é marcada pelo pecado e ameaçada
pela morte, apesar do desejo de bem que
bate nos nossos corações e do desejo de
vida que corre nas nossas veias.
Descobrimos que tudo dentro de nós nos
impele a vencer as tentações da
superficialidade e do desespero. É então
que somos chamados a tornar-nos
discípulos d’Aquele que tudo transcende,
infinitamente.

55
A função da Igreja

A principal função da Igreja, em todos
os tempos e em especial no nosso, é dirigir
o nosso olhar para o mistério de Deus,
ajudar os homens e as mulheres a
familiarizarem-se com a profundidade da
Redenção que tem lugar com Jesus Cristo.
Em Cristo e através de Cristo, Deus
revelou-Se completamente à humanidade
e aproximou-Se definitivamente dela;
ao mesmo tempo, em Cristo e através
de Cristo, adquirimos plena consciência
do valor insuperável da nossa própria
humanidade e do sentido da nossa
existência. Por conseguinte, todos nós,
seguidores de Cristo, temos de nos
encontrar e reunir em torno d’Ele.

56
Cristo, o Mestre

As palavras de Cristo, as Suas parábolas e
os Seus argumentos nunca se separam da
Sua vida e da Sua própria essência. Toda a
vida de Cristo foi um ensinamento
contínuo. Os Seus silêncios, os Seus
milagres, os Seus gestos, a Sua oração, o
Seu amor pelas pessoas, o Seu afecto
especial pelos pequeninos e pelos pobres, a
Sua aceitação do sacrifício total na Cruz
pela redenção do mundo, e a Sua
ressurreição são a Sua palavra tornada acto
e o cumprimento da revelação. Daí que
para os cristãos o crucifixo seja uma das
mais sublimes e populares imagens de
Cristo, o Mestre.

57
O Mestre que virá de novo em glória

Cristo é o Mestre que revela Deus à
humanidade e a humanidade a si mesma.
É o Mestre que salva, santifica e orienta;
que vive, fala, exorta, comove, alivia, julga,
perdoa e nos acompanha diariamente pelo
caminho da História. O Mestre que virá
de novo em glória.

58
Evangelho da vida

Cristo diz a cada um de nós: «Enviei-te.»
Porque razão nos envia Ele? Porque os
homens e as mulheres de todo o mundo
desejam a verdadeira libertação e
realização. Os pobres procuram justiça
e solidariedade; os oprimidos pedem
liberdade e dignidade; os cegos imploram
luz e verdade. Não somos enviados a
anunciar uma qualquer verdade abstracta.
O Evangelho não é uma teoria nem uma
ideologia. O Evangelho é vida!

59
Quem realmente sois

Há uma mensagem que temos de anunciar
no mundo moderno, especialmente aos
menos afortunados, aos sem-abrigo e
necessitados, aos doentes, aos excluídos,
àqueles que sofrem às mãos de outrem.
Temos de dizer a estes: Olhai para Jesus
Cristo, para verdes quem realmente sois
aos olhos de Deus.

60
O verdadeiro rosto de Jesus Cristo

Jesus diz-nos: «Envio-vos às vossas
famílias, às vossas paróquias, aos vossos
movimentos e associações, aos vossos
países, às culturas antigas e à civilização
moderna, de modo que proclameis a
dignidade de cada ser humano, tal como
foi revelada por Mim, o Filho do
Homem.» Se defendermos a dignidade
inalienável de cada ser humano, estaremos
a revelar ao mundo o verdadeiro rosto
de Jesus Cristo, que é um só com cada
homem, cada mulher e cada criança,
independentemente de quão pobre, fraco ou
deficiente este seja.

61
Como é que Jesus nos envia?

Como é que Jesus nos envia? Não promete
espada, nem dinheiro, nem poder. Em vez
disso, dá-nos paz e verdade. Envia-nos com
a mensagem poderosa do Seu Mistério
Pascal, com a verdade da Sua Cruz e
ressurreição. É só isso que Ele nos dá, e é
só disso que precisamos.

62
Procuremos Jesus

Procuremos Jesus. Deixemos que a nossa
vida seja uma busca contínua e sincera
d’Ele, infatigável, inabalável no objectivo,
mesmo que a escuridão se abata sobre o
nosso espírito, as tentações nos assaltem e
a mágoa e a incompreensão nos esmaguem
o coração. Estas são coisas que fazem
parte da vida aqui em baixo; são
inevitáveis, mas também podem ser
benéficas porque nos amadurecem o
espírito. Nunca devemos recuar, mesmo que
nos pareça que a luz de Cristo está a
esmorecer. Pelo contrário, continuemos a
procurar com fé renovada e uma maior
generosidade.

63
Uma marca da Sua passagem

Devemos aprofundar o nosso conhecimento
de Jesus, escutando a palavra do Senhor
e lendo as páginas dos Evangelhos. Tentai
descobrir onde Ele está e conseguireis
recolher junto de alguém algum pormenor
que vo-Lo indicará, que vos dirá onde Ele
vive. Perguntai a almas modestas, contritas,
generosas, humildes e ocultas; perguntai
aos vossos irmãos e irmãs, de longe
e de perto, porque encontrareis em todas
as pessoas algo que vos indicará Jesus.
Perguntai, acima de tudo, à vossa alma
e à vossa consciência, pois estas serão
capazes de vos indicar, de uma forma
inequívoca, uma marca da Sua passagem,
um vestígio do Seu poder e do Seu amor.

64
Que a nossa alma esteja preparada

Que a nossa alma esteja preparada para
ver a fracção da Sua bondade que Deus
incutiu às criaturas. Procurá-Lo todos os
dias significa possuí-Lo mais um pouco a
cada dia que passa, ser admitido mais um
pouco à Sua intimidade — então, seremos
capazes de compreender melhor o som da
Sua voz, o sentido da Sua linguagem, a
razão da Sua vinda à Terra e do Seu
sacrifício na Cruz.

65
Um Deus que Se revela

Em Cristo, a religião já não é uma
demanda cega de Deus, e passa a ser a
resposta da fé a um Deus que Se revela a
Si próprio. Falamos com Deus como nosso
Criador e Pai, resposta tornada possível
por Jesus Cristo — o Homem em quem
Deus fala a cada pessoa e através do qual
cada pessoa pode responder a Deus.

66
O novo início

Jesus Cristo é o novo início de tudo.
N’Ele, todas as coisas se tornam elas
próprias: são tomadas e entregues de novo
ao Criador, de quem procedem. Assim,
Cristo é a resposta ao desejo de todas as
religiões do mundo, e, enquanto tal, Ele é
a sua única e definitiva realização. Em
Cristo, Deus fala à humanidade de Si
mesmo; em Cristo, toda a humanidade
e toda a criação falam de si mesmas a
Deus — na verdade, entregam-se a Deus.

67
Sejamos humildes

Sejamos humildes perante o Todo-Poderoso.
Mantenhamos o sentido de mistério, pois
subsiste sempre o infinito entre Deus e nós.
Lembremo-nos de que perante Deus e a
Sua revelação, não podemos esperar obter
a compreensão com a nossa razão limitada,
mas amor.

68
Que a nossa fé seja forte

Que a nossa fé seja forte, que não hesite
nem vacile face às dúvidas e às incertezas
que os sistemas filosóficos ou os
movimentos da moda gostariam de nos
incutir. Que a nossa fé seja firme. Que
se baseie na Palavra de Deus, no
conhecimento profundo da mensagem do
Evangelho e, especialmente, da vida, pessoa
e obra de Cristo; e também no testemunho
interior do Espírito Santo.

69
Fé activa

Que a nossa fé seja activa, que se
manifeste e assuma forma concreta numa
caridade infatigável e generosa para com
os nossos irmãos e irmãs que vivem
esmagados pela mágoa e a necessidade,
que se manifeste na nossa adesão serena
ao ensinamento da verdade; que se expresse
na nossa disponibilidade para todas as
tarefas que somos chamados a desempenhar
na construção do Reino de Deus.

70
A fé é uma decisão

A fé cristã não é simplesmente um
conjunto de proposições a serem aceites
com um assentimento intelectual. A fé é
um conhecimento vivido de Cristo, uma
recordação viva dos Seus mandamentos e
uma verdade a ser vivida. Uma palavra não
é verdadeiramente recebida até ser posta
em prática. A fé é uma decisão que
envolve toda a existência pessoal. É um
encontro, um diálogo, uma comunhão de
amor e de vida entre o crente e Jesus
Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida.
Implica um acto de abandono confiante a
Cristo, que nos permite viver como Ele
viveu, no amor profundo de Deus e dos
nossos irmãos e irmãs.

71
Fiat na fé

O mistério da Encarnação realizou-se
quando Maria pronunciou o seu fiat
«Que se faça em mim segundo a tua
palavra», que tornou possível a concessão
do desejo do seu Filho. Maria pronunciou
este fiat na fé. Na fé, entregou-se a Deus
sem reservas e «dedicou-se inteiramente
como serva de Deus à Pessoa e obra do
seu Filho». E — como ensinam os Doutores
da Igreja — concebeu este Filho no espírito
antes de O conceber no ventre: precisamente
na fé. Por conseguinte, é justamente que
Isabel louva Maria: «-bendita seja aquela
que acreditou que se realizaria o que lhe
foi anunciado pelo Senhor.»

72
Abandonemo-nos

Acreditar significa abandonar-se à verdade
da Palavra do Deus vivo, sabendo e
reconhecendo humildemente «quão
insondáveis são os Seus desígnios e
inescrutáveis os Seus caminhos». Maria
encontra-se no centro destes «inescrutáveis
(…) caminhos» e «insondáveis (…)
desígnios» de Deus: conforma-se a eles à
luz fraca da fé, aceitando plenamente e de
coração aberto tudo o que está estabelecido
no plano divino.

73
Graça invisível

O Baptismo é um sacramento, um sinal
visível da graça invisível; é a porta através
da qual Deus age na alma humana,
unindo-a a Si próprio em Cristo e na
Igreja. Fá-la partilhar a Redenção. Infunde-lhe
uma nova vida. Fá-la comungar com
os santos. Abre o caminho aos outros
sacramentos. O Baptismo é um
renascimento através do qual cada filho
de homem se torna filho de Deus.

74
Unidos

Regenerados como filhos no Filho de Deus,
os baptizados ficam unidos inseparavelmente
como «membros de Cristo e membro do
corpo da Igreja». O Baptismo simboliza e
origina uma incorporação mística mas real
no crucificado e glorioso Corpo de Cristo.
Através do sacramento, Jesus une o
baptizado à Sua morte, de modo a unir
o sacramentado à Sua ressurreição.
O «homem velho» é despido, passando-se
a envergar o «o homem novo», ou seja,
o próprio Jesus: pois «todos aqueles de
entre vós que foram baptizados em Cristo,
vestiram-se de Cristo». Em resultado, «nós,
que somos muitos, formamos um único
corpo em Cristo».

75
Catequese

A Igreja sempre considerou a catequese uma
das suas principais tarefas. Antes de Cristo
ter sido elevado ao Pai e após a Sua ressurreição,
deu aos Seus discípulos uma ordem final:
fazer discípulos em todos os países e
ensiná-los a observar tudo o que Ele ordenara.
Assim, confiou-lhes uma missão e deu-lhes
o poder de anunciar à humanidade aquilo
que haviam escutado, aquilo que haviam visto
com os seus olhos, o que tinham observado
e tocado com as mãos, respeitante à Palavra
da Vida. Também os incumbiu da missão
e do poder de explicar com autoridade o que
Ele lhes ensinara, as Suas palavras e acções,
os Seus sinais e mandamentos. E deu-lhes
o Espírito, para levarem a cabo esta missão.

76
O âmago da catequese

O âmago da catequese é, na essência, uma
Pessoa, a Pessoa de Jesus de Nazaré, «o
único Filho do Pai (…) cheio de graça e
verdade», que sofreu e morreu por nós e
que agora, depois de ressuscitar, vive
connosco para sempre. É Jesus quem é «o
caminho, a verdade e a vida» e a vivência
cristã consiste em seguir Cristo. Catequizar
é uma forma de levar uma pessoa a
estudar o mistério de Cristo em todas as
suas dimensões.

77
A vida dos fiéis

O objectivo específico da catequese é
desenvolver uma fé, conquanto incipiente, e
alimentar, dia a dia, a vida cristã dos fiéis.
Trata-se de possibilitar o crescimento, ao
nível do conhecimento e na vida, da
semente da fé lançada pelo Espírito Santo.
A catequese visa desenvolver a
compreensão do mistério de Cristo à luz
da Palavra de Deus, de forma que toda a
humanidade de uma pessoa seja imbuída
dessa Palavra.

78
Trabalhadores na Sua vinha

Deus chama-nos e envia-nos como
trabalhadores na Sua vinha. Chama-nos e
envia-nos pata trabalharmos para a vinda
do Seu Reino na História. Na verdade,
desde a eternidade que Deus pensou em
cada um de nós e nos amou como
indivíduos únicos. Chamou cada um de nós
pelo nome. No entanto, só no
desenvolvimento da história pessoal das
nossas vidas e seus acontecimentos se
revela a cada um o plano eterno de Deus.
É um processo gradual, um processo que
ocorre dia a dia.

79
A vontade do Senhor

Ser capaz de descobrir a verdadeira
vontade do Senhor nas nossas vidas implica
o seguinte: atenção receptiva à Palavra de
Deus e à Igreja, oração fervorosa e
constante, recurso a um guia espiritual
sábio e caridoso, discernimento fiel das
dádivas e talentos que nos foram entregues
por Deus.

80
Entender o chamamento de Deus

Na vida de cada membro da comunidade
de fiéis há momentos particularmente
importantes e decisivos para entender o
chamamento de Deus e abraçar a missão
atribuída por Ele. Ninguém deve esquecer
que o Senhor, enquanto Mestre dos
trabalhadores na vinha, chama a todas as
horas da vida, de modo a dar a conhecer
mais precisa e explicitamente a Sua
vontade sagrada. Por conseguinte, a atitude
fundamental e contínua do discípulo deve
ser de vigilância e atenção conscienciosa à
voz de Deus.

81
Fazer o que Deus quer

Não se trata simplesmente de saber o que
Deus pretende de cada um de nós, nas
várias situações da vida. É necessário fazer
o que Deus quer.

82
Todos os aspectos da nossa vida

Não pode haver duas vidas paralelas na
existência dos fiéis: por um lado, a
chamada vida espiritual, com os seus
valores e exigências; por outro, a chamada
vida secular, ou seja, a vida em família, no
trabalho, nas relações sociais, nas
responsabilidades da vida pública e na
cultura. Todos os aspectos da nossa vida,
por diferentes que sejam, entram no plano
de Deus, que deseja que em todos estes
aspectos se revele e realize o amor de
Deus, para glória do Pai e serviço dos
outros.

83
Abraçar as Bem-Aventuranças

A vida vivida de acordo com o Espírito
apela a toda a pessoa baptizada e exige
que cada um siga e imite Jesus Cristo.
Fazemos isto abraçando as Bem-Aventuranças,
ao escutarmos a Palavra de
Deus e meditarmos nela; ao participarmos
activa e conscienciosamente na vida
litúrgica e sacramental da Igreja; ordenado;
na família e na comunidade; manifestando
fome e sede de justiça; na prática do
mandamento do amor em todas as
circunstâncias da vida; no serviço dos
irmãos, em especial dos mais desprotegidos,
dos pobres e dos sofredores.

84
Recorrer à Bíblia

Por forma a reconhecermos quem é
verdadeiramente Cristo, temos de recorrer,
com interesse renovado, à Bíblia. No texto
revelado é o próprio Pai no Céu que vem
até nós, em amor, e habita entre nós,
revelando a natureza do Seu único Filho
gerado e o Seu plano de salvação da
humanidade.

85
Uma das nossas mais profundas necessidades

«Mestre, ensina-nos a rezar.» Quando, na
encosta do Monte das Oliveiras, os
apóstolos se dirigiam a Jesus nestes
termos, não colocaram uma questão vulgar,
mas, com confiança espontânea,
exprimiram uma das mais profundas
necessidades do coração humano.

86
Abandono confiante

Como cristãos, sabemos que para nós a
oração é tão essencial como o ar que
respiramos e, uma vez experimentada a
brandura da conversa íntima com Deus,
não hesitamos em absorvermo-nos nela
com um abandono confiante.

87
Oração e acção

A unidade profunda entre oração e acção
subjaz a toda a renovação espiritual,
especialmente entre os fiéis. Está na base
dos grandes feitos de evangelização e
construção do mundo segundo o plano de
Deus.

88
Encontrar sentido

Uma perspectiva contemplativa não cede
desespero quando confrontada com aqueles
que se encontram doentes, a sofrer,
excluídos ou às portas da morte. Ao invés,
em todas estas situações, sente-se desafiada
a encontrar um sentido e é precisamente no
rosto de cada pessoa que descobre uma
vocação de encontro, de diálogo, de
solidariedade.

90
Distanciamento necessário

Os alimentos e as bebidas são necessários
à vida. Temos de utilizá-los, mas não
devemos abusar deles. A tradição de
abstenção de comida e bebida tem como
finalidade introduzir na nossa existência
não apenas o equilíbrio necessário mas
também o distanciamento daquilo que
poderia ser definido como uma «atitude
comunista». Nos nossos tempos, essa
atitude tornou-se uma das características
da civilização e, em particular, da
civilização ocidental.

91
Jejuar

Jejuar é mais do que mera abstinência
de alimento ou comida material. Jejuar é
um símbolo, um sinal, um chamamento.
sério e estimulante à aceitação ou à
realização de renúncias. Que renúncias?
A renúncia ao «ego», ou seja, a muitos
caprichos ou aspirações mórbidas, a
renúncia aos defeitos próprios, à paixão
e aos defeitos impetuosos. Jejuar é ser
capaz de dizer não, inequívoca e
firmemente, àquilo que é sugerido ou
exigido pelo orgulho, pelo egoísmo e pelo
vício; escutar a nossa própria consciência;
respeitar o bem que há nos outros;
permanecer fiel à lei sagrada de Deus.

92
Sujeitos à tentação

O Senhor Jesus permitiu que Ele próprio
fosse tentado pelo malévolo para nos
mostrar como devemos agir quando
sujeitos à tentação. Para aqueles que
imploram ao Pai para não serem tentados
para além das suas forças, ser sujeito à
tentação não significa pecar. Ao invés,
trata-se de uma oportunidade para crescer
em fidelidade e coerência através da
humildade e da vigilância.

93
Carregar a Cruz

O suor e as lágrimas, necessariamente
existentes na presente condição da raça
humana, apresentam a todos a possibilidade
de partilhar caridosamente a obra que Cristo
veio fazer. Esta obra de salvação exigiu
sofrimento e morte na Cruz. Metendo ombros
a essa empresa em união com Cristo
crucificado por nós, colaboramos com
o Filho de Deus na redenção da humanidade.
Mostramos ser verdadeiros discípulos de
Cristo carregando a Cruz todos os dias nas
actividades que somos chamados a
desempenhar. O cristão encontra no trabalho
humano uma pequena parte da Cruz de Cristo
e aceita-o com o mesmo espírito de redenção
com que Cristo aceitou a Sua Cruz por nós.

94
Abrir os nossos corações

Mesmo não tendo à nossa disposição riquezas
e capacidades concretas para satisfazer
as necessidades dos nossos próximos, não
podemos sentir-nos dispensados de abrir
os nossos corações às suas necessidades
e de as aliviar na medida do possível.
Lembremo-nos da contribuição da viúva.
Lembremo-nos da contribuição da viúva.
Ela lançou ao tesouro do templo apenas duas
pequenas moedas, mas, com elas, deu todo
o seu grande amor, pois «na sua pobreza,
ela entregara tudo o que tinha, tudo o que
tinha para viver». Acima de tudo, é o valor
intrínseco da dádiva que conta: a prontidão
para partilhar tudo, a prontidão na entrega.
S. Paulo escreve: «Se entregar tudo o que
possuo (…), mas não tiver amor, nada ganho.»

95
A realidade do sofrimento

A realidade do sofrimento está
constantemente perante os nossos olhos, e
frequentemente também no corpo, na alma
e no coração de cada um de nós. A dor
sempre foi um grande enigma da existência
humana. No entanto, desde que Jesus
redimiu o mundo através da Sua paixão e
morte, abriu-se uma nova perspectiva:
através do sofrimento, podemos crescer em
entrega e atingir o grau mais elevado de
amor devido a Ele, que «nos amou e Se
entregou por nós.»

96
Sofrimento terreno

Jesus não hesitou em anunciar a bem-aventurança
daqueles que sofrem: «Felizes os
aflitos, porque serão consolados (…). Felizes
os que são perseguidos por causa da justiça,
porque é deles o Reino do Céu. Felizes de
vós, se fordes insultados e perseguidos, e se
disserem toda a espécie de calúnia contra vós
por causa de Mim. Ficai alegres e contentes,
porque será grande para vós a recompensa
no Céu.» Esta bem-aventurança só pode ser
compreendida se admitirmos que a vida
humana não se limita ao tempo passado
na Terra, mas é completamente dirigida para
a perfeita alegria e a vida total do além.
O sofrimento terreno, quando aceite com
amor, é como o caroço amargo que contém
a semente da vida nova, o tesouro da glória
divina que nos será dado na eternidade.

97
Sofrimento como oferenda

Um princípio básico da nossa fé cristã é a
fecundidade do sofrimento e, daí, o
chamamento de todos os que sofrem a
unirem-se no sacrifício redentor de Cristo.
O sofrimento torna-se, assim, uma oferenda,
uma oblação: isto aconteceu e ainda acontece
em muitas almas. Especialmente aqueles
afligidos por um sofrimento moral
aparentemente sem sentido encontram no
sofrimento moral de Jesus sentido para o seu
próprio transe, ao entrarem com Ele em
Getsémani. N’Ele, descobrem a força para
aceitar a dor com um abandono sagrado
e uma obediência confiante à vontade do Pai.
E sentem, elevando-se dos seus corações,
a oração de Getsémani: «Que se faça a Tua
vontade, Pai, e não a minha».

98
Quando desorientados, recorramos a Deus

Ó Deus, Tu és o nosso Criador. És bom
e a Tua misericórdia é infinita. Todas
as criaturas cantam os Teus louvores.
Deste-nos uma lei interior, pela qual temos
de reger as nossas vidas. A nossa missão
é fazer a Tua vontade. Seguir os Teus
caminhos é conhecer a paz de espírito.
Guia-nos nos caminhos que percorremos
nesta terra. Liberta-nos das más tendências
que afastam os nossos corações da Tua
vontade. Nunca nos deixes afastar de Ti;
ajuda-nos a fazermos parte dos escolhidos
no último dia.

99
Ao Espírito

Que o Espírito Santo, o Espírito do
Pentecostes, nos ajude a clarificar o que
é ambíguo, a dar cordialidade ao que é
indiferente, a iluminar em nós o que
é obscuro e a sermos perante o mundo
testemunhos verdadeiros e generosos do
amor de Cristo, pois ninguém pode viver
sem amor.

100
Que todos sejam um só

Elevemos as nossas vozes e oremos em
uníssono: «Que todos sejam um só.» Que os
cristãos dêem testemunho do serviço do Seu
Reino. Que todas as comunidades cristãs se
unam no desejo da unidade total. Que a
unidade perfeita de todos os cristãos se realize,
de modo que Deus possa ser glorificado por
todas as pessoas em Cristo Senhor. Que todos
os povos da Terra consigam ultrapassar os
conflitos e egoísmos, encontrando total
reconciliação e paz no Reino de Deus.
Lembra-Te da nossa Igreja, ó Senhor:
protege-a de todo o mal, torna-a perfeita
no Teu amor, santifica-a e une-a no Teu Reino,
que preparaste para ela. Pois Teu é o poder
e a glória para todo o sempre.