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Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia


Reze
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«Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam»
Mensagem do Bispo de Setúbal no início de um novo triénio Pastoral (2005-2008)

Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro dos Seus filhos para conversar com eles. E é tão grande a força e a eficácia da Palavra de Deus, que se torna o sustentáculo vigoroso da palavra da Igreja, fortaleza da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual (Dei Verbum, 21).

Consciente disso, o Santo Concílio «exorta com particular veemência todos os fiéis a que aprendam a maravilha que é o conhecimento de Jesus Cristo com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque desconhecer as escrituras é desconhecer a Cristo». E continua: «Debrucem-se, pois, amorosamente sobre o texto sagrado, quer através da Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por cursos apropriados, quer através de outros meios. Lembrem-se, todavia, que a oração deve acompanhar a leitura da Sagrada Escritura» (Dei Verbum, 25).

Este apelo à leitura frequente das divinas Escrituras, dirigido a todos os fiéis, é reforçado, no que respeita aos clérigos, sobretudo aos sacerdotes e todos os que, como diáconos e catequistas, se consagram legitimamente ao ministério da Palavra, para não se tornarem pregadores superficiais e vazios da Palavra de Deus, por não a escutarem interiormente (Dei Verbum, 25).

Também João Paulo II, na Carta «À entrada de um novo milénio», número 39, exorta os fiéis à escuta da Palavra de Deus na Bíblia, e diz assim: «Este primado da santidade e da oração só é concebível a partir de uma renovada escuta da Palavra de Deus. É preciso, amados irmãos e irmãs, consolidar e aprofundar esta orientação, inclusive com a difusão do livro da Bíblia nas famílias. De modo particular, é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre válida tradição da "lectio divina": esta permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, orienta, modela a existência».

Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem conversar com os Seus filhos, para os tornar participantes da sua alegria. «Felizes os que ouvem a Palavra de deus e a põem em prática»!

Tendo em conta a importância da Sagrada Escritura na vida espiritual, os apelos da Igreja ao mais alto nível e a dificuldade que ainda temos em a ler em clima orante, depois de várias consultas, tomei a decisão de dedicar este triénio à (re)descoberta da Sagrada Escritura, tal como já sabeis pelo plano pastoral, e nomeei uma Comissão presidida pelo Pe. Francisco Mendes para apoiar a realização deste projecto pastoral.

É Deus quem dá este tempo à Igreja que está em Setúbal, para aprender a venerar as Escrituras e para ter o desejo de as ler, estudar, assimilar, viver, celebrar e ensinar sempre com a certeza de que são ditosos os que ouvem e cumprem a Palavra de Deus.

Entrego este triénio a toda a Diocese, para que o torne tempo e clima de:
Descoberta da Escritura como carta de Deus Pai e amigo aos Seus filhos, a oferecer-lhes plena comunhão da Sua vida, do Seu amor, da Sua alegria;
Crescimento no desejo de ler a Escritura e de deixar que a sua vida seja sempre conduzida pela Palavra de Deus;
Crescimento em comunhão já que a Palavra de Deus gera comunhão;
Sementeira abundante pelas pessoas e pelo mundo, e com novo entusiasmo e métodos, da Palavra bendita que é, por fim, o próprio Jesus.

Entregando este triénio a toda a Diocese, ponho-o particularmente, e cheio de confiança, nas mãos do clero que o Senhor me deu como colaborador para ensinar o Povo de Deus. Muito espero ainda da disponibilidade dos catequistas e dos grupos bíblicos junto do seu pároco.

Rezo e espero que rezeis para que nenhum leigo, religioso ou clérigo, e para que nenhum movimento, serviço ou paróquia fique de fora. Todos, num só coração, somos precisos para criar o clima apto à escuta de Deus que, na Bíblia, nos vem animar, recriar, reunir, iluminar e fortalecer.

O Espírito do Senhor que inspirou os autores sagrado nos ajudará a criar iniciativas que nos ajudem a ler a Bíblia como Palavra viva de Deus.

Desde já partilho com todos vós algumas iniciativas que poderão ajudar a criar um clima propício à escuta e à leitura orante da Sagrada Escritura:

Actividades que se realizam e que se podem enriquecer:
Melhorar a proclamação da Palavra na Liturgia, particularmente na Eucaristia, continuando a preparar leitores, a cuidar da instalação sonora, a cuidar da homilia, a melhorar e variar a procissão para a leitura do Evangelho, bem como a bênção com o Evangeliário;
Cuidar mais e mais o ambão da Palavra;
Prestar maior atenção à Palavra proclamada na Eucaristia;
Aproveitar as reuniões dos vários grupos para fazer uma breve leitura meditada dum texto bíblico, desde que bem preparada.
Actividades a implementar que não implicam grande dificuldade:
Entronizar solenemente a Sagrada Escritura na igreja e nas salas de catequese na semana de 1 a 6 de Novembro. Entronizar a Bíblia em casa.
Convidar à leitura, em casa, do Evangelho de cada ano que vai ser posto à disposição de todos;
Fazer num Domingo a bênção das Bíblias na igreja (cada um levaria a sua);
Colocar um cartaz apropriado nos vários locais da Paróquia, sem esquecer os centros sociais e outros locais;
Sensibilizar para seguir um curso bíblico, ao menos através da leitura;
Fazer uma sensibilização bíblica a toda a comunidade, num dia, nas celebrações dominicais, convidando mesmo alguém para isso;
Apelar a que cada um tenha a sua Bíblia, como tem o seu terço;
Sugerir que no Natal, por exemplo, se ofereça a Bíblia como presente;
Ler e divulgar o documento do Concílio Vaticano II sobre a Palavra de Deus;
Distribuir às pessoas as leituras de cada Domingo;
Comprar o compêndio do Catecismo Universal para, em cada ano, ler uma das quatro grandes partes;
Realizar concursos artísticos relacionados com a Sagrada Escritura.

Actividades que implicam um maior esforço, mas muito importantes:
Organizar um curso bíblico na paróquia ou movimento e um curso de leitura orante da Bíblia (lectio divina);
Organizar um grupo de leitura orante da Sagrada Escritura, de jovens ou casais jovens ou de pessoas ligadas aos vários serviços da paróquia;
Formar agentes para ajudar a conhecer e a amar a Bíblia;
Escrever a Bíblia, um livro em cada ano, de forma a envolver o maior número de pessoas, mesmo se arredadas da vida comunitária;
Fazer exposições relativas à Sagrada Escritura, organizar uma tenda ou uma casa da Bíblia;
Participar na Festa Bíblicas Diocesana de 11 de Junho de 2006.

Caros irmãos, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem ao encontro dos Seus filhos.
Jesus é o Verbo eterno feito Carne. É a Palavra que esclarece todas as palavras e todas as perguntas. É a Palavra para Quem convergem todas as palavras. A Sua Palavra é viva e eficaz, enche o coração, converte, reúne, purifica. Quando encontra terreno bom, como na Virgem e nos santos, dá frutos de paz, alegria, caridade, justiça, santidade, comunhão, esperança...
Coloquemos este triénio sob a protecção de Nossa Senhora.
Ela é modelo excelso da Igreja que escuta o seu Senhor e Lhe obedece, e modelo da Igreja que educa o homem para escutar o seu Senhor. Com ela que na nossa diocese é invocada com tantos e bonitos títulos haveremos de ser Igreja que escuta, que contempla o seu Senhor e que obedece, que faz, como Maria pediu, tudo o que Ele nos disser. Com ela queremos ensinar os homens, a começar pelas nossas crianças e jovens, a escutar, a acolher e a celebrar a Palavra do Senhor.

† Gilberto, Bispo de Setúbal