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Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia


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Raíz do Pecado

Potencialidade da alma
"Visões, revelações, sentimentos celestes e tudo quanto se pode imaginar de mais elevado, não valem tanto quanto o menor ato de humildade" (São João da Cruz)

(gentileza Thomas)

A Igreja, iluminada pela luz do Espírito Santo, seu Guia infalível, em sua experiência bi'milenar, nos ensina que os piores pecados são aqueles que ela chama de 'capitais'. Capital vem do latim 'caput', que quer dizer cabeça. São pecados 'cabeças', isto é, que geram muitos outros. Assim como, por exemplo, a capital de um estado ou de um país, é de onde procedem as ordens, decisões e comandos, assim também, desses pecados 'cabeças', nascem muitos outros. Por isso eles sempre mereceram, por parte da Igreja, uma atenção especial. São sete: soberba, ganância, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça.

Houve um santo que disse que, se a cada ano vencêssemos um desses sete, ao fim de sete anos, seríamos santos. Portanto, vale a pena refletir sobre eles, a fim de rejeitá-los, com o auxílio da graça de Deus e de nossa vontade.

O primeiro, e sem dúvida o pior de todos, é a soberba. É o pior porque foi exatamente o que levou os anjos maus a se rebelarem contra Deus, e levou Adão e Eva à desobediência mortal.

A soberba consiste na pessoa sentir-se como se fosse a geradora dos seus próprios bens materiais e espirituais.

Acha-se cheia de si mesma, pensa, melancolicamente, que é a própria autora daquilo que tem ou que faz de bom, e se esquece de que tudo vem de Deus e é dom do alto, como disse São Tiago:

'Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes' (Tg 1,17).

O soberbo se esquece que é uma simples criatura, que saiu do nada pelo amor e chamado de Deus, e que, portanto, Dele depende em tudo. Como disse Santa Catarina de Sena, ele 'rouba a glória de Deus', pois quer para si as homenagens e os aplausos que pertencem só a Deus, já que Ele é o autor de toda graça.

A soberba é o oposto da humildade. Essa palavra vem de 'humus', daquilo que se acha na terra, pó. O humilde, é aquele que reconhece o seu 'nada', a sua contingência, embora seja a mais bela obra de Deus sobre a terra, a sua glória, como dizia santo Irineu no século II.

Foi a soberba que perdeu a humanidade, foi a humildade que a salvou. São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, garante que: 'Toda a vitória do Salvador dominando o demônio e o mundo, foi iniciada na humildade e consumada na humildade!' Adão e Eva sendo criaturas quiseram 'ser como deuses' (Gen 3,5), Jesus, sendo Deus, fez-se como a criatura. Da manjedoura à cruz do Calvário, toda a vida de Jesus foi vivida na humildade e na humilhação. São Paulo resume isso na carta aos filipenses:

'Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz' (Fil 2,6-8).

Pela humildade e pela humilhação Jesus se tornou o 'novo Adão' que salvou o mundo (Rom 5,12s). Maria, a mãe do Senhor, tornou-se a 'nova Eva', ensina a Igreja, porque na sua humildade destruiu os laços da soberba da primeira virgem.

Esta é a razão pela qual a humildade é a virtude preferida de todos os santos; pois ninguém se santifica sem ela.

Muitos cristãos são cheios de boas virtudes, mas infelizmente tornam-se 'inchados', pensando infantilmente que essas boas virtudes são méritos próprios e não graças de Deus, para serviço dos outros. Deus disse a Santa Catarina que: 'o pecador, qual ladrão, rouba-Me a honra, para atribui-la a si mesmo'.

São Paulo pergunta aos corintios: 'O que há de superior em ti? Que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se o não tivesses recebido ?' (1 Cor 4,7).

Como ninguém, o Apóstolo sentia em si as misérias humanas, convivendo com as riquezas da graça de Deus. Ele disse aos corintios:

'Temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provem de Deus e não de nós' (2 Cor 4,7). É de Santo Agostinho a expressão: 'Eis a grande ciência do cristão: conhecer que nada é e nada pode'.

Ser humilde é ser santo, é viver o oposto de tudo isso: é saber descer do pedestal, é não se auto-adorar, é preferir fazer a vontade dos outros do que a própria, é ser silencioso, discreto, escondido, é fugir das pompas e dos aplausos. São João Batista foi modelo dessa humildade e nos ensinou a sua essência. Ao falar de Jesus, ele disse: 'Importa que Ele cresça e que eu diminua!' (Jo 3,30). Isto diz tudo. Quando Jesus iniciou a sua vida pública, João o apresentou para o povo: 'eis o Cordeiro de Deus', e desapareceu ... até ser martirizado no cárcere de Herodes. Que lição de humildade! Também Nossa Senhora, sendo, 'a Mãe do Senhor' (Lc 2,43), fez-se 'a escrava do Senhor' (Lc 1,38). Da mesma forma São José, escolhido por Deus entre todos os varões do seu tempo, para ser o pai legal do Senhor (Lc 2,48), fez-se o servo humilde, obediente, escondido e vazio de si mesmo. E assim como S. José, todos os santos foram modelos de humildade.

Há uma frase que aparece pelo menos três vezes na Bíblia: em Provérbios 3,34; em Tiago 4,6 e em 1 Pedro 5,5 , que diz:

'Deus resiste aos soberbos mas dá a sua graça aos humildes'.

É uma palavra muito forte essa: 'resiste aos soberbos'; quer dizer, o soberbo nada consegue de Deus, porque está cheio de si mesmo, se auto-adora, não tem espaço no coração para Deus e para os outros. Diz Santo Afonso que: 'Quanto mais uma pessoa se acha indigna de graças, mais Deus a enriquece delas'.

Não é por acaso que São Pedro manda:

'Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno' (1 Pe 5,6). Em seguida ele então recomenda:

'Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós' (5,7). Aquele que se humilha diante de Deus, isto é, reconhece o seu 'nada' de criatura diante do Criador, esse pode, confiantemente, 'confiar-lhe todas as preocupações' e estar certo de que o Senhor vai se encarregar de todas elas. Santa Teresa diz que: 'Por meio da humildade o Senhor se deixa render a tudo quanto dele queremos'.

Jesus nos falou muito sobre a importância da humildade. Contou a parábola do fariseu soberbo e do publicano humilde (Mt 18,9-14); termina dizendo:

'Digo-vos: este [o publicano] voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado'.

Os santos foram exaltados, levados aos altares, porque se humilharam. Jesus sentou-se à direita do Pai, como homem, não apenas como Deus, porque humilhou-se como ninguém na terra. 'Por isso, diz São Paulo, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes ' (Fil 2,9).

Nossa Senhora foi a mais exaltada entre todas as criaturas porque foi a que mais se humilhou. Só ela pôde cantar: 'Doravante todas as gerações me proclamarão bem aventurada' (Lc 1,48), porque sendo 'Mãe de Deus' fez-se 'escrava do Senhor' (Lc 1,38).

De muitas formas Jesus ensinou a humildade aos discípulos. Quando eles lhe perguntaram: 'Quem é o maior no Reino dos céus ?', Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: 'Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus' (Mt 18, 3-4).

De outra forma Jesus já tinha ensinado no Sermão da Montanha:

'Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus' (Mt 5,1).

Esta é a primeira das Bem-aventuranças, aquela que abre as portas do Reino dos céus. Os 'pobres de espírito' são os humildes.

Os santos ensinam que foi a perfeita humildade de Nossa Senhora que fez com que Deus a escolhesse para a mãe do seu Filho, eleita entre todas as mulheres. E tanto é verdade que Ela mesma canta no Magnificat: '... olhou para sua humilde serva' (Lc 1,48). Deus 'olha' constantemente para os humildes! ...

O livro dos Provérbios diz que 'com os humildes está a sabedoria' (Pr 11,2), 'com aqueles que se deixam aconselhar' (13,10). E o livro de Jó nos ensina que: 'Ele abaixa o orgulho dos soberbos e salva o homem de olhar humilde' (Jó 22,29). Também Maria cantou que 'Ele depôs os poderosos de seus tronos e a humildes exaltou' (Lc 1,52).

Quando a mãe de S. João e S. Tiago, pediu ao Senhor que os seus dois filhos se assentassem ao seu lado no Reino, o Senhor lhes disse:

'Aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve e o que quiser ser o primeiro dentre vós, seja vosso servo' (Mt 20,27). E é interessante que Jesus se apresenta a eles como o exemplo:

'Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos' (20,28). Até que na última Ceia Ele lhes dá o exemplo maior de humildade: lava os pés deles. Aquilo que era o serviço do servo, Ele o faz, para ensiná-los de maneira viva, e lhes pergunta:

'Compreendeis o que vos fiz ? Vós me chamais de Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto, eu o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais' (Jo 13, 12-16).

E por fim acrescenta:

'Se compreenderdes isso e o praticardes, sereis felizes'. (13,17).

Que lição!

Mas como é difícil lavar os pés dos irmãos! Como é difícil aceitar o último lugar! Como é difícil pedir perdão! Como é difícil aceitar ser rejeitado, ser preterido, ser esquecido, ser caluniado, ser ridicularizado, escarnecido, injuriado... Só mesmo com o auxílio da graça de Deus. Jesus exclamou um dia: 'Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas dos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos' (Mt 11,25).

Santa Teresa D’Avila dizia que 'enquanto vivemos nesta terra não há coisa que mais importa para nós do que a humildade' (Moradas, cap. 2,9).

Na prática, ser humilde, é aceitar morrer para si mesmo. É como aquele grão de trigo que Jesus disse que se não cair na terra e não morrer, permanecerá só, e não dará fruto (Jo 12,14).

Ser humilde é nunca 'contar consigo mesmo', mas contar sempre com Deus. Jesus foi claríssimo: 'Sem Mim nada podeis fazer' (Jo 15,17).

Ser humilde é não viver para si, mas viver para Deus e para os outros. 'Quem ama sua vida a perde e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la'á para a vida eterna' (Jo 12,15).

Quem deseja ser humilde de verdade, e não apenas como os fariseus, que Jesus chamou de 'sepulcros caiados' (Mt 23,5), porque só faziam as coisas para aparecer, deve então, como os santos: preferir que os outros cresçam na opinião do mundo, enquanto ele diminua; que os outros sejam louvados e ele esquecido; que os outros sejam honrados, e ele desprezado.

Deus tem um grande desígnio atrás da humildade; como São Paulo disse aos coríntios:

'O que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e, o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o forte; e, o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura se possa vangloriar diante de Deus' (1 Cor 1,26-31).

E o Apóstolo completa:

'Aquele que se gloria, se glorie no Senhor'.

É a humildade que forma uma comunidade cristã sólida no amor. S. Pedro tem uma bela expressão: 'Revesti-vos todos de humildade em vossas relações mútuas' (1 Pe 5,5). Todas as rixas e rivalidades de nossas comunidades cairão por terra quando cada um de nós for verdadeiramente humilde. Onde está presente a verdadeira humildade, não há lugar para a competição e a disputa.

Quando São Paulo faz aos efésios um apelo para que vivam a unidade querida por Jesus, ele lhes diz:

'Exorto-vos pois (...) a andardes de modo digno da vocação a que fostes chamados: com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor '.(Ef 4,1-3). Não há comunidade unida e forte se cada um dos seus membros não for 'revestido de humildade'. E para isso, é preciso dar combate à vontade própria. Santo Afonso de Ligório dizia que:

'A vontade própria é a ruína das virtudes, a fonte de todos os males, a única porta do pecado, e da imperfeição, arma favorita do tentador contra os religiosos, o carrasco de seus escravos, um inferno antecipado'.

E ainda dizia: 'Vale mais um ato de humildade do que a conquista de todas as riquezas do mundo'.

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, insistia na necessidade do auto conhecimento para que a pessoa se torne humilde e tenha discernimento. Deus lhe disse:

'Ao desceres o vale da humildade, reconhecer-Me'ás em ti, e de tal conhecimento receberás tudo aquilo de que necessitais'.

'A cela do autoconhecimento é o lugar onde se adquire a perfeição'. E ensinava que:

'O diabo orgulhoso não tolera um espírito humilde'. É a humildade que vence o demônio sempre. São Vicente de Paulo dizia que ele não sabe se defender contra a humildade, por ser soberbo.

No livro da 'Imitação de Cristo', Tomás de Kempis diz que o verdadeiro humilde é aquele que reconhece o seu nada e se alegra nas humilhações. Aqueles que se irritam quando são desprezados ainda não são perfeitos na humildade. Tudo o que nos leva a reconhecer o nosso nada deve alegrar-nos; por isso os santos se alegravam ao serem desprezados na terra.

São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que 'suportar os desprezos é pedra de toque da humildade e da verdadeira virtude'.

E ainda: 'Muitas pessoas consentem em se humilhar, mas não querem ser humilhadas'.

A humildade se prova na hora da humilhação. Se nos perturbamos com uma palavra de crítica, com uma injúria ou com algum desprezo, isto é mostra de que ainda não morremos para nós e para o mundo e que ainda não somos humildes.

O humilde é manso, o soberbo é agressivo. O orgulhoso é sempre raivoso e vingativo, pois julga-se 'o bom' e merecedor de toda honra.

Podemos examinar a nossa humildade diante das seguintes situações: quando as pessoas dão ouvido ao que dizem os outros e desprezam as nossas palavras; quando os outros pedem e recebem, mas pedimos e nos é negado; quando os outros são elogiados e nós esquecidos; quando os outros são chamados para trabalhos importantes, mas nós não somos achados bons para tal, e assim por diante... Conforme for a nossa reação nesses momentos, podemos medir o grau da nossa soberba ou humildade.

Santa Joana de Chantal dizia que: 'Quem é verdadeiramente humilde, vendo-se humilhado, mais se humilha'.

Os santos ensinam que devemos exercitar a humildade principalmente nos momentos em que somos repreendidos por alguém. A reação natural é o azedume, a irritação, a justificação do erro a qualquer custo, a revolta, maledicência, etc. O humilde cala-se e arrepende-se da falta que fez; não fica magoado e não se revolta com quem o corrigiu. Ao contrário, é grato com aquele que lhe fez ver o erro.

São Felipe de Neri chegava a dizer que: 'Quem quer ficar verdadeiramente santo nunca deve se desculpar, nem que seja falso o que lhe atribuem'. Santo Afonso de Ligório diz que a única exceção deve acontecer quando é necessário defender-se para evitar um escândalo.

Santa Teresa dizia que 'uma pessoa caminha mais para Deus quando deixa de desculpar-se do que ouvindo dez sermões'. E ela diz a razão disso: 'Não se desculpando, começa a adquirir a liberdade interior e a não se preocupar se dizem dele bem ou mal'.

A extrema humildade de vários santos os levavam a se sentirem os piores pecadores, por incrível que nos pareça. Santa Teresa ensinava às suas monjas dizendo:'Não acrediteis ter progredido na perfeição, se não vos julgardes piores de todas e se não desejais ser tratadas como as últimas'.

Os santos preferiam que todos conhecessem os seus defeitos e os tivessem como pobres pecadores, como eles mesmos se achavam.

O humilde não se desespera e nem desanima, duas maneiras que o tentador emprega para perturbar a nossa alma. O soberbo confia nas próprias forças e por isso cai. O humilde não cái porque confia só em Deus. E, se cai, aceita a queda.

Aquele que é humilde não louva-se a si mesmo e não se preocupa com o que os outros pensam e dizem de si. Não se preocupa com a sua 'boa reputação' e fama. Santo Agostinho escreveu que: 'O elogio do adulador não cura a má consciência, nem as injúrias de quem ofende ferem a boa consciência'. Santo Afonso pergunta: 'Que adianta ser estimado pelas pessoas desse mundo, se diante de Deus somos nada?'

A maneira mais segura de fazer morrer a 'própria estima' é viver no escondimento, ensinam os santos.

Também o desejo de dominar os outros, de mandar, é sintoma grave de soberba. Santa Teresa preferia que o seu mosteiro fosse queimado pelas chamas antes de entrar nele essa maldita ambição. Santo Afonso diz que a única ambição de quem quer ser santo deve ser a de superar todos os outros na humildade.

A soberba é uma erva daninha que tem mil raízes dentro de nós. Torna-se difícil muitas vezes combatê-las porque elas tomam uma aparência de boa ação, quando na verdade, são más. Um forte exemplo disso é o que acontece com muitas pessoas que, uma vez tendo cometido um erro, um pecado, não se conformam e não se perdoam, e ficam como que pisando a própria alma num remorso sem fim. É um caso típico de orgulho escondido. Não se perdoar é não aceitar a própria miséria e limitações, e isto é orgulho. Esta atitude leva a pessoa a não confiar na misericórdia de Deus, o que a leva ao desânimo ou desespero, duas armas muito usadas pelo tentador para nos perturbar a alma e afastar-nos de Deus.

Santo Agostinho ensina: 'Se a tristeza se apoderar de nós por um erro ou pecado nosso, lembremo-nos de que um coração esmagado pela dor é um sacrifício digno de Deus'.

São Francisco de Sales, ensinava como tratar os próprios erros: 'Considerai vossos defeitos com mais dó que indignação, com mais humildade que severidade e conservai o coração cheio de um amor brando, sossegado e terno'. E ainda dizia: 'É orgulho não os conformarmos com a nossa fraqueza e a nossa miséria'.

Não adianta irritar-se consigo mesmo e condenar-se após um pecado. Isto seria um mal maior. O remédio é levantar-se humildemente, aceitar com resignação a própria falta e ir buscar o perdão junto à misericórdia infinita de Deus que nunca nos falta. O mesmo S. Francisco de Sales ensinava que: 'Quanto mais nos sentirmos miseráveis, tanto mais devemos confiar na misericórdia de Deus. Porque entre a misericórdia e a miséria, há uma ligação tão grande que uma não pode se exercer sem a outra'. Deus disse a Santa Catarina: 'Por falta de confiança na minha misericórdia, corre-se o risco de cair no desespero, um dos enganos a que o demônio pode conduzir meus servidores'.

Deus muitas vezes permite as nossas quedas para nos tornar humildes. É pelas nossas próprias faltas que conhecemos a nossa miséria e passamos a confiar só em Deus. É o que levava S. Teresa a dizer às suas filhas: 'Jamais cometamos o desatino de confiar em nós mesmos'.

Cada tropeço é uma grande ocasião que temos para aprender a sermos humildes.

Santo Afonso dizia que: 'Mesmo os pecados cometidos podem concorrer para a nossa santificação, na medida em que a sua lembrança nos faz mais humildes, mais agradecidos às graças que Deus nos deu, depois de tantas ofensas'.

Enfim, a humildade é a grande força daquele que quer a santidade. Santa Teresa o disse: 'Quem possue as virtudes da humildade e do desapego bem pode lutar contra todo o inferno junto e o mundo inteiro com suas seduções'.

Essas duas virtudes, diz a Santa, tem a propriedade de se esconderem de quem as possue, de maneira que nunca as vê, nem se persuade de as ter, mesmo que lho digam. O grande místico doutor, S. João da Cruz, disse que: 'Visões, revelações, sentimentos celestes e tudo quanto se pode imaginar de mais elevado, não valem tanto quanto o menor ato de humildade'.

Conquistar a santidade é conquistar a humildade!

 

fonte: Recados do Aarão